Empacotando



Em uma coluna publicada na contracapa deste diário, em junho de 2016, um programa de computador desenvolvido na Alemanha para analisar a velocidade e a eficiência da circulação da bola foi mencionado como uma janela para o futuro do jogo de futebol. A medição da quantidade de jogadores adversários superados a cada passe completo permitia analisar a objetividade do jogo de uma determinada equipe, assim como identificava quais eram os futebolistas mais produtivos neste quesito.

No último dia 21, um artigo do jornal The New York Times ampliou o conhecimento sobre a evolução dessa – relativamente nova – estatística, resultante da frustração de dois jogadores de futebol com as formas como os papéis em campo são avaliados. Stefan Reinartz e Jens Hegeler atuavam como meio-campistas defensivos na Bundesliga, em 2015, quando decidiram fazer algo a respeito: criaram uma métrica chamada “packing” e hoje comandam uma empresa de análise desse dado específico.

“Packing” (a melhor tradução neste contexto é “empacotar”) mede a quantidade de oponentes eliminados da jogada por um determinado movimento com a bola. Um jogador recebe um ponto por cada adversário deixado para trás, seja com um drible ou um passe. No caso de passes e lançamentos, o companheiro que os recebe também é creditado com pontos. A ideia é quantificar a importância de jogadores nem sempre valorizados na construção de movimentos ofensivos e dividir os holofotes com aqueles que os finalizam.

No artigo do jornal americano, Toni Kroos, meio-campista do Real Madrid, aparece como o líder da temporada europeia nessa estatística (79 oponentes eliminados por jogo, em média). Na recepção de passes decisivos, Eden Hazard, do Chelsea, é destaque com 102 adversários superados a cada partida. Quando esses adversários são jogadores de defesa, o que sugere maior proximidade do gol, ninguém está acima de Lionel Messi, com 18 por jogo. Na última Copa do Mundo, a seleção com melhor desempenho em “packing” foi a Bélgica.

O sucesso da empresa de Hegeler (atualmente no Bristol City, da segunda divisão inglesa) e Reinartz (aposentado) revela o interesse de clubes por um aspecto do jogo que nem sempre gera gols, embora aumente sua probabilidade, e por jogadores capazes de mover a bola com precisão na direção da área adversária. Times ingleses, espanhóis, alemães, franceses, belgas e, em breve, americanos, pagam para receber as análises.



MaisRecentes

Cognição



Continue Lendo

Sete dias



Continue Lendo

Em voo



Continue Lendo