Carente



1 – Após vinte minutos na Vila Belmiro, o jogo se apresentava ao feitio do que o São Paulo – para quem os três pontos eram mais necessários – gostaria: com características claras, mas morno. O momento de pressão inicial do Santos tinha passado sem grandes emoções, e aquele estágio em que o encontro se estabiliza numa marcha um pouco mais baixa estava evidente.

2 – O Santos era mais insinuante, como esperado, mas o sistema defensivo são-paulino controlava Rodrygo e Gabriel. O problema estava do outro lado, pois Alison não permitia que Nenê articulasse como de costume, e Diego Souza pouco aparecia. Era óbvio que, no ponto de vista do time dirigido por Diego Aguirre, este era um clássico de poucas oportunidades.

3 – Para o Santos, o oposto. O jogo era uma questão de transformar volume em algo concreto. Rodrygo teve uma ocasião na altura da meia hora, em jogada individual pelo lado esquerdo. Ele conseguiu evitar a marcação de Hudson, mas não finalizou como desejava. O clássico na Vila não era ruim, mas também não mostrava o melhor de seus protagonistas.

4 – O zero a zero chegou ao segundo tempo, com uma questão para os dois times: quem daria o primeiro passo à frente, no sentido de intensificar a busca pela vitória? Embora o São Paulo estivesse em uma posição mais sensível (a corrida pelo título não admite desperdício de pontos), o Santos, por características, tinha mais a oferecer.

5 – Parecia que ambos os técnicos aguardavam – como José Mourinho costuma dizer – o momento em que “o jogo se abre”, uma forma de se referir a um evento que provoca descontrole. E ele veio aos vinte e sete minutos, quando Arboleda falhou ao tentar interceptar um lançamento de Diego Pituca para Rodrygo. O jovem atacante santista surgiu, livre, diante de Sidão, mas exagerou ao buscar o canto do gol. Bola para fora.

6 – Aguirre lançou a “carta Tréllez”, Cuca acionou Bruno Henrique. O jogo ainda teria algo além de quinze minutos para que, um pouco mais soltos, Santos e São Paulo fizessem o que estava ao alcance deles desde o início, mas se perdeu em meio a outras prioridades.

7 – Ao contrário, a partida sofreu ainda mais no aspecto técnico e ninguém se aproximou de construir um gol. Nem mesmo de encontrá-lo por acidente, como acontece tanto no futebol. A última possibilidade foi uma cobrança de falta de Nenê, com a bola dentro da pequena área santista. Na barreira, e um clássico de oferta mínima terminou como começou.

8 – O fato de a única esperança de gol ter sido uma jogada marcada por uma falha gritante e uma finalização mal feita diz o suficiente. Ao final, enquanto o São Paulo valoriza o ponto somado como o melhor visitante do Campeonato Brasileiro, o Santos tem seus motivos para dizer que foi quem mais tentou, além de prolongar a sequência de jogos sem sofrer gol. Por desempenho, é justo que a vitória neste domingo tenha escapado a ambos.

9 – Como é frequente, não se sentir derrotado parece mais importante do que se sentir vencedor. A soma de pretensões semelhantes com o equilíbrio entre os times resulta em jogos assim, repletos de disputas, carentes em recordações.

LISTA

Depois das solicitações de VAR para lateral (Dudu, Palmeiras) e leitura labial (Edílson, Cruzeiro), o santista Derlis González fez o sinal da consulta ao árbitro de vídeo por causa de um impedimento marcado. Importa menos que o jogo que ele disputava, pelo Campeonato Brasileiro, não tivesse esse recurso. Poderia ser apenas um lapso. A questão é que o VAR não confere impedimentos, a não ser que tenham acontecido em lances que terminam em gol.

EMPURRA AÍ

No sábado, jogadores de futebol tiveram de fazer uma ambulância pegar no tranco para que um colega fosse levado ao hospital. Aconteceu no Campeonato Brasileiro da Série A e no estádio Mané Garrincha, o mais caro da Copa do Mundo de 2014. É algo que vai além do constrangimento.



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