Distâncias



1 – Comportamentos esperados no dérbi, a partir das escalações. O Palmeiras, provavelmente o único clube do país que de fato pode usar dois times, disposto a controlar o clássico em casa. O Corinthians, desconfiado e preocupado com os perigos inerentes ao encontro, decidido a minimizar os riscos. O que não se imaginava, talvez, fosse um jogo com apenas um chute na direção do gol registrado até os trinta minutos.

2 – O Palmeiras optou por marcar próximo à área do oponente, o que se mostrou uma ideia eficiente e, até certo ponto, lógica. O momento corintiano não é exatamente de confiança, e o mínimo tempo de trabalho do novo treinador está longe de ser suficiente para gerar ideias bem compreendidas. Scolari decidiu pressionar um adversário receoso, impedir que respirasse e pudesse se expressar livremente.

3 – O resultado foi um Palmeiras por mais tempo com a bola e muito mais presente no campo ofensivo, embora sem as ocasiões correspondentes. E um Corinthians sólido no posicionamento defensivo, mas praticamente inexistente no ataque. Em oferecimento ao público, pouco, mas ficou claro quem pretendia jogar e quem pretendia impedir.

4 – O ajuste era menos complicado para Scolari do que para Jair Ventura, por uma óbvia questão de jogadores disponíveis. A entrada de Moisés tornou o Palmeiras mais dinâmico e mais difícil de ser marcado, intensificando o cenário do primeiro tempo e aumentando a distância técnica e de atuação coletiva entre os dois times.

5 – Na jogada de Marcos Rocha para Deyverson, um gol que já se anunciava e uma evidência do que normalmente ocorre com quem apenas se defende. Basta um erro para rasgar o plano. A falha de Léo Santos permitiu a finalização do expansivo atacante palmeirense, conferindo justiça ao que o clássico exibiu até os onze minutos da segunda parte.

6 – E para um time cujos defeitos defensivos estão evidentes, a desvantagem era um problema duplo, pois seria necessário fazer escolhas que deixariam o Palmeiras um pouco mais à vontade. Mas além de uma cobrança de falta de Jadson que Henrique não conseguiu desviar para o gol, o Corinthians não esteve perto do empate.

7 – Dudu, sim, por pouco não aumentou a vantagem em jogada pessoal, ao criar seu caminho na área corintiana e disparar um chute forte que bateu no travessão e no chão, mas não entrou. Especialmente no segundo tempo, o atacante foi um dos principais nomes do clássico.

8 – Um princípio de confusão – absolutamente evitável – no corredor dos bancos de reservas após a substituição de Deyverson e uma caneta de Willian em Gabriel foram os momentos mais palpitantes no restante do dérbi. A superioridade do Palmeiras era notável; a chance do Corinthians conseguir um ponto, acidental. O resultado final foi natural diante do que cada rival pode fazer neste momento.

9 – Enquanto o time de Scolari é suficientemente competitivo com qualquer escalação, o – agora – de Ventura não consegue sê-lo com o que tem de melhor. A diferença é maior do que apenas um gol, o que permite ao técnico corintiano uma leitura até positiva do resultado: as falhas na defesa foram reduzidas. Ocorre que o Palmeiras não precisou de mais do que uma.

10 – Nada disso, claro, é culpa de Jair Ventura. Mas ainda que esse não seja o time que ele escolheu (assim como não era o de Loss, e não seria o de Carille, caso ainda estivesse presente), a responsabilidade para evitar um fim de ano dramático será dele. O dérbi foi uma amostra do desafio.

SÓLIDO

Alguma dúvida quanto à seriedade do Internacional? Nas últimas quatro rodadas, contra Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e Grêmio: dois empates e duas vitórias.

SIMPLES

A questão não é por que só a seleção brasileira joga quando as competições estão em andamento. É por que só as competições brasileiras estão em andamento quando a seleção joga. Não esqueça de quem é a culpa.



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