Ah, a Copa…



Deve-se ao sempre formidável Filipe Luís o encerramento de um não-debate que insistiu em reaparecer aqui e ali durante a Copa da Rússia: a ideia de que o futebol de seleções, mesmo em seu estágio mais alto, perdeu a razão de ser por causa do crescimento da importância da Liga dos Campeões da Uefa. Um trecho da entrevista coletiva de anteontem, em Nova Jérsei, serve como epígrafe de um conflito inexistente, pois menciona até a comparação utilizada como argumento por quem pensava que tinha descoberto uma nova era: “Tudo o que eu vivi lá na Rússia foi, sem dúvida, o melhor e o pior momento da minha carreira. (…) Nunca imaginava que fosse nesse nível a competição. Cada jogo era como se fosse uma final da Champions”, disse o lateral da seleção brasileira e do Atlético de Madrid.

Em outros termos: para o jogador de futebol, não existe nada como a Copa do Mundo. Não é necessário ir ao Google para lembrar que Filipe disputou duas finais da Liga dos Campeões, portanto deve saber alguma coisa sobre esse tema. Na mesma entrevista, ele lamentou só ter disfrutado de um Mundial. “Não importa se jogasse Panamá contra Tunísia, todo jogo era especial”, comentou, em clara referência ao ambiente e à carga de pressão em todos os sentidos que caracterizam cada rodada de uma Copa, ocasiões que concentram as atenções do que se chama de “mundo do futebol”. Até quem diz que não gosta está na audiência.

Trata-se de uma questão de preferência, um direito indiscutível. Ninguém que acompanha futebol tem o dever de apreciar sua seleção nacional ou os torneios entre países. O equívoco está na tentativa de impor essa escolha, em nome da “paixão pelo clube”, como se uma coisa excluísse a outra. Ou transformá-la em fato universal, sugerindo a decadência de um evento que se encontra na origem da relação de amor com o jogo em tantas vidas e há tanto tempo. A transcendência da Copa do Mundo está evidente na declaração de Filipe, alguém que provavelmente se apaixonou pelo futebol muito antes de decidir fazer dele sua profissão. Vindo de onde vem, esse tipo de percepção não deixa dúvidas.

A propósito: Filipe Luís também abordou a eliminação do Brasil na Rússia, com outra frase que evidencia a maneira como futebolistas se relacionam com o Mundial. “Perder do jeito que a gente perdeu foi muito difícil. Nas férias eu não parei de ter pesadelo e sonhar com essa derrota”, contou. A Copa do Mundo sempre foi o ápice do futebol. Boatos sobre seu declínio mostraram-se infundados.



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