Receio punido



1 – O campeonato de pontos corridos não faz distinções entre oportunidades, tarefa cumprida pelo desempenho de cada um. Mas há jogos que transmitem a sensação de “dever do mandante”, especialmente quando este é o líder na classificação, em uma rodada que tende a lhe ser favorável. São Paulo x Fluminense era um desses jogos.

2 – Não por um juízo de valor da capacidade do time carioca, mas pela importância de seguir somando pontos em condições ideais. Campo, torcida, ambiente… não havia mais o que pedir para ao menos manter a distância para o Internacional. Para o time dirigido por Diego Aguirre, o encontro era uma questão de cumprir o papel de quem almeja o título.

3 – O visitante também tem um papel nessas ocasiões, e o Fluminense não tardou a mostrar que o entendeu perfeitamente. Após a descida de Ayrton Lucas pelo lado esquerdo, Jadson dominou a bola na região da marca do pênalti. O chute desviou em Liziero e no travessão antes de sair, em clara chance desperdiçada aos onze minutos.

4 – Até então, era igualmente clara a dificuldade do Fluminense para tirar a bola de seu campo, embora não passasse apuros. O movimento do lateral-esquerdo teve duas triangulações pelo corredor e um excelente passe. A finalização não acompanhou a exuberância do lance.

5 – O susto despertou o São Paulo, dando ao jogo a dinâmica que se esperava. Mais iniciativa em busca de uma superioridade que ainda não se estabelecia quando Diego Souza colocou em risco o plano, as ideias e os objetivos do time. O toque com o cotovelo no peito de Léo pode não ter sido violento, mas foi suficientemente deliberado para deixar sua permanência em campo nas mãos do árbitro. Vermelho direto.

6 – A expulsão alterou drasticamente o cenário no Morumbi. O Fluminense jogaria pouco mais de um tempo inteiro de futebol em vantagem numérica, contra um oponente obrigado a tentar vencer. Mesmo considerando a imprevisibilidade do jogo, o espaço estava assegurado. Marcelo Oliveira mexeu para a frente no intervalo: Júnior Dutra no lugar de Jadson.

7 – O gol foi um presente. A bola longa de Sornoza provavelmente não seria alcançada pelo alvo, Everaldo. O desvio de cabeça de Anderson Martins provou-se fatal, porque Sidão já saía da área e não pôde voltar: gol contra. Entre todos os problemas solucionados por Aguirre em jogos em casa neste campeonato, nada se assemelhou, em teoria, ao que o Fluminense propôs no segundo tempo.

8 – Diante de um adversário que não tinha alternativa à tomada de riscos, o Fluminense pareceu em dúvida quanto ao que fazer: controlar a posse ou explorar o avanço são-paulino? Logo viu como o jogo costuma tratar o receio.

9 – Régis tomou a bola de Ayrton Lucas na ponta-direita e não só evitou a saída como acertou um formidável cruzamento para Tréllez. O cabeceio forte fez mais do que empatar a partida; trouxe a torcida para dentro do campo e expôs a pane dos visitantes justamente quando o jogo estava para ser vencido.

10 – Na melhor ocasião do Fluminense no segundo tempo, um passe de calcanhar espetacular de Richard deixou Matheus Alessandro em condições de marcar. O chute cruzado bateu na trave, efetivamente encerrando as possibilidades de uma vitória que parecia tão próxima.

11 – Ao final, a superioridade numérica do time carioca simplesmente não foi percebida, o que diz o bastante sobre cada um dos times em campo. O Fluminense lamenta dois pontos perdidos, o São Paulo se sente como quem salvou um.

EXPLOSIVO

O futebol está repleto de jogadores aparentemente incontroláveis como Felipe Melo. O que o separa da maioria é sua idade, trinta e cinco anos. É inexplicável que, ao longo de uma trajetória privilegiada no que diz respeito ao nível dos clubes em que atuou, comissões técnicas com métodos diversos não tenham sido capazes de orientá-lo. Logicamente não se deve isentá-lo de responsabilidade.

MAIS UM?

Nenhum técnico serve para dirigir o Flamengo, é isso?



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