Bê-á-bá



O jovem Rodrygo, pérola santista, merece elogios por reformar a declaração impensada que deu após a eliminação do time na Copa Libertadores. “De maneira alguma posso concordar com violência. Não defendo tal atitude” fica muito melhor como expressão da opinião de um jogador de futebol do que “… a torcida está totalmente certa em fazer o que fez hoje”, em referência às tentativas de invasão do gramado e aos tumultos que encerraram o jogo contra o Independiente antes do tempo. Compreendem-se a pouca idade e a irritação e se aplaude a postura equilibrada com distanciamento, mesmo que seja um produto de orientação.

Mas o principal trecho da entrevista coletiva de Cuca na noite de anteontem não pode – e nem deve – ser substituído por nada, mesmo que tenha causado incômodos internos. O alerta para a obrigação do Santos de se organizar melhor para não cometer o erro que originou mais uma atrocidade de autoria da Conmebol talvez seja o único sinal de sensatez em todo o episódio, uma manifestação pela qual o clube – como instituição – e seus admiradores deveriam ser gratos. E diferentemente do que poderia ser o caso, sem que precisasse se desculpar por isso, Cuca não estava nervoso quando conversou com os repórteres no Pacaembu. Ao contrário, manteve-se sóbrio, paciente, embora a tristeza e a indignação fossem evidentes.

A Conmebol é um paradigma da corrupção em entidades esportivas. Não por coincidência, um de seus ex-presidentes, o paraguaio Juan Ángel Napout, foi condenado ontem a nove anos de cadeia nos Estados Unidos. Entre todos os aspectos questionáveis sobre como o caso Carlos Sánchez foi conduzido, é provável que o anúncio da decisão – na manhã do dia do jogo – tenha sido o mais vil. Em aparência, mais do que a intenção de prejudicar, é o escárnio absoluto. Só que o Santos se colocou em uma situação extremamente delicada ao cometer um equívoco sério que, como disse Cuca, ignorou práticas básicas em um futebol dito profissional. É duro, constrangedor, mas censurá-lo por falar essa verdade equivale a tapar os ouvidos com as mãos e sair gritando.

O que falta aos clubes brasileiros é a coragem de Cuca para fazer uma crítica a quem lhe remunera. Com o agravante de que o técnico está solitário em sua postura, enquanto os clubes poderiam estar unidos em uma posição de força, cientes do próprio valor e de que os torneios da Conmebol não teriam significado sem eles. Mas nem mesmo uma utopia dessa natureza os dispensaria de ser minimamente organizados.



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