Piso



É sempre necessário aplaudir quando um jogador de futebol utiliza o espaço que possui para solicitar melhores condições de trabalho. A imagem de milionários mimados, que ressoa na arquibancada como resultado da irresponsabilidade ao microfone, é um obstáculo adicional para o que deveria ser interpretado como um direito básico. Por isso o meia rubro-negro Diego – assim como os jogadores gremistas, que fizeram o mesmo em relação à Arena, em maio – precisa ser ouvido quando diz que o gramado do Maracanã “é um dos piores do Brasil, sem dúvida nenhuma, na Série A”, embora haja risco permanente de reações iluminadas como “craque joga em qualquer campo” ou “gramado ruim prejudica os dois times”. Compreender o futebol passa por compreender o futebolista, algo impossível sem um mínimo de boa intenção.

Equipes que jogam com posse, casos de Flamengo e Grêmio, sofrem muito mais quando a superfície está em más condições. Diego elaborou sobre o tema após o encontro com o Vitória, na última quinta-feira; o passe fica prejudicado, o domínio de bola é mais difícil, finalizações não são simples como parecem. Acelerar jogadas torna-se um risco competitivo, pois quando é preciso superar também o campo, a confiança no gesto técnico cai e as ações com bola não fluem como deveriam. Acima de tudo, gramados ruins são ameaças ao bom jogo, o que precisa ser uma preocupação do futebol brasileiro como indústria, não apenas de quem sente o prejuízo diretamente. As dimensões dos campos utilizados na Série A estão padronizadas, mas se encontra de tudo em relação ao estado da grama em que a bola deveria rolar, não quicar.

E que fique claro, antes da proliferação dos trolls que babam no teclado diante de qualquer crítica ao futebol no Brasil: o problema não é exclusivo. Barcelona e Valladolid jogaram anteontem em um local que mais parecia um gigante quarto de hotel decadente, em que pedaços do gramado se soltavam e se moviam como carpete velho. Uma atrocidade para um campeonato que pretende diminuir a distância, como produto, para a Premier League. É ainda mais desnecessário, até ridículo, falar em realizar um jogo por ano nos Estados Unidos, enquanto a liga espanhola continuar sendo disputada em campos sofríveis como o do estádio José Zorrilla aos olhos do mundo. A explicação de que a grama foi replantada quatro dias antes do jogo piora a situação ao revelar que se tratava de um acidente esperando para acontecer, sem que nenhuma medida fosse tomada para evitá-lo.

O gramado da Arena do Grêmio foi substituído após as críticas públicas de Renato Portaluppi e seus jogadores. Na sexta-feira passada, iniciou-se a troca de uma parte do campo do Maracanã, desgastado por excesso de jogos e efeitos climáticos. Se as obras já estavam programadas antes das reclamações de Diego na noite anterior, eis uma enorme coincidência. Se não estavam, que esse tipo de manifestação seja recebido com a seriedade que merece, e não como desculpa para erros individuais ou más atuações. O futebol profissional não pode tolerar nada diferente de gramados que não só não atrapalhem, mas que contribuam para o jogo técnico e agradável.

NA SÉRIE B

Para não deixar passar: no início do mês, Rogério Ceni criticou o gramado da Arena Castelão após um jogo do Fortaleza. E com absoluta razão. O Campeonato Brasileiro da Série B não deveria se medir por padrões inferiores.

AINDA NÃO

Terceira rodada, e a decisão da Premier League sobre o árbitro de vídeo fica cada vez melhor. O Manchester City sofreu um gol de mão e em impedimento no empate com o Wolverhampton; e o Newcastle marcou um gol no Chelsea em que houve uma falta clara durante a jogada. Dois lances em que a televisão mostrou as irregularidades quase que instantaneamente, e que seriam corrigidos na Itália, na Espanha, na Alemanha, na França e até na China. Mas não na Inglaterra. Ou melhor: ainda não.



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