Filme



Seja a expressão mais pura do que pensa, ou um desses recados públicos endereçados aos próprios jogadores, a declaração do fim de semana foi oferecida por Odair Hellmann. Minutos após ver seu time derrotar o Paraná e alcançar os trinta e oito pontos, o técnico do Internacional foi questionado a respeito da liderança na classificação do Campeonato Brasileiro. “A gente não fica olhando para a tabela, temos que olhar para aquilo que precisamos melhorar”, respondeu Hellmann. “Os jogadores sabem que é disputado, que qualquer vacilo pesa”, acrescentou. O jogo de futebol é discutido com tanta despreocupação, que, com frequência, o conteúdo que chega diretamente de quem o faz é dispensado como se não tivesse valor. Julga-se conhecer equipes, jogadores e ideias apenas por amostras de observação, e as teses de cada dia se tornam verdades pessoais defendidas com veemência, mesmo que durem pouco. O assunto proposto ao treinador do Inter é um caso clássico; cada rodada é analisada como uma foto, enquanto o campeonato é um filme.

É evidente que, no Internacional e em todos os demais clubes, olha-se para a tabela e se tem exata noção do que cada posição representa. No caso do clube gaúcho, o tema da classificação era óbvio, uma vez que a liderança momentânea (esta coluna foi escrita antes do término de São Paulo x Chapecoense. Os lugares podem ter se alterado; o argumento, não) tinha sido atingida graças ao tardio gol de falta de Camilo. Mas o que Hellmann salienta é exatamente o caráter temporário da pontuação, que, na marca da metade do campeonato, não significa nada além de uma perspectiva. Como elemento para a avaliação dessa perspectiva, o fato de o Inter ser primeiro, segundo ou terceiro colocado é irrelevante. Há cinquenta e sete pontos em disputa até a última rodada e é infantil pretender determinar quem está melhor posicionado para conquistar o título. A distância do primeiro ao sexto lugar expõe esse devaneio.

Era uma precipitação restringir a corrida pelo troféu a São Paulo e Flamengo, e não apenas porque os rivais de Porto Alegre se apresentaram. Por qual motivo uma competição que tem a imprevisibilidade como virtude se converteria em uma procissão de praticamente um turno inteiro, sem nenhum participante claramente superior a todos os outros no ponto de vista técnico? A distribuição de etiquetas a cada rodada concluída (“time A é candidato”, “time B vai se dedicar às copas”, “time C se descolou dos líderes” e similares) contradiz a essência do campeonato, especialmente porque se baseia, na maioria das vezes, na capacidade de saber ler. Ignora-se a temporada passada, em que o líder destacado na primeira metade poderia ter sido alcançado no segundo turno, período no qual as etiquetas se alternavam entre os “perseguidores”.

A conversa sobre o futebol não pode ser tão rasa. A superficialidade contribui para a incompreensão e gera distorções perigosas como a necessidade de explicar resultados por desempenhos individuais, como se tentou fazer com o Flamengo após a queda em Curitiba. Maurício Barbieri, felizmente, não permitiu que um de seus jogadores fosse encaminhado para a guilhotina. A propósito: alguém dirá “verdades definitivas” a respeito da temporada do Flamengo, com dezenove jogos para a conclusão do Campeonato Brasileiro. É mais ou menos como julgar o desempenho de um ator a cada cena de um filme.

SINAIS

O Palmeiras de Scolari não sabe como tomar gols e revê Dudu a caminho de sua melhor versão. Defesa sólida, ataque confiável e sinais de conexão com jogadores. Claras impressões digitais do técnico neste início.

É…

Kannemann e De Arrascaeta, fundamentais para Grêmio e Cruzeiro, também desfalcarão seus times durante a próxima data Fifa. E a lista de estrangeiros convocados pode aumentar. A origem do problema é bem evidente.



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