Arturito



“Ame como Tóquio, divirta-se como Nairóbi, ria como Denver, sinta como Rio, jogue como Berlim, aconselhe como Moscou, defenda como Helsinque, lute como Oslo, pense como o professor, pero no la cagues como Arturito”. No auge do sucesso de “A Casa de Papel”, essa mensagem deu voltas ao mundo pelas redes sociais como inspiração para os fãs da série espanhola, independentemente das preferências por cada personagem. Pelo que se percebe, ninguém na sede da Conmebol parece ter tomado conhecimento da trama, pois como se diria em Luque (PAR), onde os caminhos do futebol sul-americano são determinados, “cagaron la Copa”.

Ok, já se sabia que os planos de alterar a forma como a Libertadores é decidida estavam em movimento, com a ideia de realizar uma grande festa em torno de uma final em jogo único. Montevidéu, Santiago e Lima se candidataram para sediar o evento. Anteontem, a Conmebol informou que a capital uruguaia retirou sua proposta, e, pela primeira vez, o principal torneio do continente será decidido em campo neutro e em uma só noite. Acontecerá ano que vem, em Santiago. Os arturitos da confederação ainda resolveram, após votação, que a Copa Sul-Americana também se encerrará nesses moldes na próxima temporada, em Lima.

No perfil da Conmebol no Twitter, o anúncio foi recebido com extremo carinho por parte do torcedor sul-americano, que enviou sequências impublicáveis de votos de sucesso e adjetivos cordiais. O negativismo é uma característica da rede mencionada, mas, neste caso, é possível dizer que a ideia realmente não foi bem aceita. Além de todas as questões de mobilidade na região, já debatidas desde que a final única foi proposta, a descaracterização da Libertadores significa uma drástica diminuição da chance de uma torcida comemorar o título no próprio estádio. A partir de agora, essa felicidade dependerá de uma rara combinação de fatores.

Mas a Conmebol certamente não está preocupada com isso. A “grande festa do futebol sul-americano” poderá ser um evento grandioso em vários aspectos, menos em sua razão de existir. O futebol é o principal prejudicado em um plano megalomaníaco que afasta o jogo das pessoas e cria um ápice artificial, desconectado da memória afetiva que se desenvolveu ao longo de décadas. Ao final da segunda temporada de “A Casa de Papel”, o futuro de Arturito não é revelado. Não deveria causar surpresa se, no próximo ano, o público for informado de que ele não trabalha mais na Casa da Moeda espanhola. Assumiu uma posição no conselho da Conmebol.



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