Terceirão



Mais uma temporada, e a conversa sobre as prioridades dos clubes com maiores ambições prossegue em loop sem que ninguém se importe. Como aquela mensagem de áudio contendo uma notícia desagradável; você pode ouvi-la mil vezes, mas o conteúdo obviamente será sempre o mesmo. Dirigentes e técnicos jamais dirão publicamente que, sim, as copas estão à frente do Campeonato Brasileiro na escala de importância para a tomada de decisões. As equipes que são candidatas em todas as competições são obrigadas a fazer escolhas, e, para as que não são, as escolhas já estão feitas por “seleção natural”. Vez por outra um jogador, em meio ao cansaço da zona mista, deixa escapar alguma informação estratégica que ilustra o que é de conhecimento geral e pode ser facilmente verificado pelas diferenças entre as escalações usadas no Brasileirão e nos torneios.

“Quem não poupar jogador vai pagar depois”, avisou, na semana passada, o técnico mais graduado em planejamento de rodízio de elenco no futebol brasileiro. Renato Portaluppi foi campeão da América com o Grêmio no ano passado, com a temporada dividida em Copa Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, nesta ordem. Nem o argumento de que o clube gaúcho não vence a principal competição do país desde 1996 – e havia conquistado a Copa do Brasil em 2016 – foi capaz de alterar as apostas feitas, mesmo que fosse evidente que Renato tinha time para acompanhar o Corinthians até o final. O investimento nos riscos que uma copa representa deu lucros correspondentes, entre os quais a “razão” a esse tipo de planificação. Fortalecido e no comando de um grupo acostumado a competir assim, Portaluppi leciona sobre como, quando e por que descansar jogadores, embora seu time não esteja tão bem colocado no BR como no ano passado: era o vice-líder no domingo dos pais.

Com o pedido de perdão pela insistência: não há um técnico que não adoraria escalar o que se chama de “força máxima” em todos os jogos, como Mano Menezes deixou claro após o Cruzeiro vencer o Flamengo pela Libertadores, na quarta-feira passada. Ocorre que está cientificamente comprovado que não é possível, e enfrentar a ciência com sonhos e empregos em jogo não é uma decisão muito inteligente (nunca é, isso foi uma brincadeira, ok?). As comissões técnicas dos principais clubes brasileiros estão muito bem servidas de profissionais das diversas especialidades, de modo que aquele sujeito que vive repetindo que “na NBA se joga todas as noites…” poderia fazer um favor a si mesmo e tentar pensar um pouco. O problema – um deles – que se estabeleceu no calendário brasileiro de futebol não é a necessidade de rodar elencos, mas as forças que levaram o Campeonato Brasileiro ao terceiro lugar em importância.

O que aconteceria se um dos melhores times do país se dispusesse a vencer o Brasileirão, escalando seus titulares em todas as rodadas? Especialmente enfrentando adversários que priorizam as copas, a chance de conquista seria altíssima. Há muitas razões que inviabilizam essa decisão, a principal sendo o fascínio que a Libertadores exerce. Mas algo não faz sentido – nem com o argumento das cota$ – quando a Copa do Brasil desperta maior interesse, porque títulos de torneios em jogos eliminatórios não podem ser planejados. Sem falar na relevância de cada troféu, o que não se discute em nenhum lugar do mundo. Nem aqui.

DECOLANDO

Elogiado por Piqué e novo dono da camisa de Iniesta, o cartaz de Arthur não poderia ser maior no Barcelona. O zagueiro mencionou o ex-volante gremista como um intérprete do tipo de futebol que se reconhece como próprio do clube catalão, e o fato de usar a camisa 8 – o que nada tem a ver com função em campo ou qualquer comparação com o antigo proprietário – não deixa de ser um sinal de hierarquia. Haverá muita competição para ser titular no meio de campo, mas Arthur está à altura.



MaisRecentes

Alerta



Continue Lendo

Escolhidos



Continue Lendo

Carente



Continue Lendo