“Algumas tapas”



O advogado de Juninho – que aqui não terá seu nome divulgado, para que não se notabilize ainda mais – afirma que seu cliente é uma vítima da hipocrisia da sociedade. Ele promete buscar indenização pela transferência frustrada para o Corinthians, por causa da repercussão negativa de um caso de violência contra uma ex-namorada. Críticas justas ao clube à parte, por se colocar em uma situação plenamente evitável, o papel que o representante do jogador tem feito é constrangedor. O avanço da ignorância e da desfaçatez não pode permitir que certas posturas deixem de ser contestadas, por mais que se pareçam com encenações mal planejadas. Aqui há ainda flagrante falta de originalidade: a tentativa de converter o agressor em agredido.

Ao menos o doutor não escolheu uma rota ainda menos digna, a de negar os fatos. Ele não teria sido o primeiro e se colocaria ao lado do próprio cliente, que na quinta-feira disse ao globoesporte.com que “isso aí é conversa dela. Se tivesse tido agressão, o [exame] de corpo de delito teria pego e eu estava preso (sic). Isso não existiu, não”. A estratégia também poderia ter sido alimentada pelo bom senso e optado pela simpatia em relação a alguém que cometeu um erro (um crime, que fique claro) e procura uma oportunidade profissional, desde que partisse da posição de que tal simpatia não é compulsória, mas uma decisão de cada um. Pelo que se nota, seria pedir demais. Na era das relações embrutecidas, vale até apresentar um covarde como perseguido.

Letra por letra, eis a declaração do advogado de Juninho à Espn: “Juninho realmente, no ano passado, aqui na cidade do Recife, envolveu-se num incidente com sua namorada, à época, e realmente ele chegou a agredi-la com algumas (sic) tapas, e veio a ser conduzido para a delegacia de plantão da mulher”. Ele acrescentou que o jovem jogador assinou um termo de responsabilidade e tem cumprido com suas obrigações enquanto aguarda uma audiência. E que Juninho não será preso: “O máximo que pode acontecer é um crime restritivo de direito. Uma prestação de serviço, uma doação, etc”. Não, doutor, esse não é o máximo. As consequências de agredir uma mulher vão além do que a Justiça determina, como se comprovou nos últimos dias. Elas podem levar um clube a desistir de se associar ao agressor.

Especialmente um clube que tem se posicionado no repúdio à violência contra as mulheres, até mesmo estampando em seu uniforme frases de conscientização sobre assédios e abusos, como aconteceu em março. A legitimidade dessa posição não pode ser questionada pela contratação de um jogador que deu “algumas tapas” na ex-namorada, de modo que o equívoco do Corinthians não reside na mudança de planos quando Juninho já estava em São Paulo, mas em tê-lo procurado. Já o equívoco do representante do jogador parece mais sério: “Juninho está pagando por uma sociedade hipócrita, aonde nós temos centenas e dezenas (sic) de casos no futebol brasileiro de atropelamentos com mortes, de agressões, de jogadores de time A, de time B, de time C (…) e esses jogadores estão aí, flanando…”, reclamou. Só faltou citar a lapidar frase do ex-goleiro Bruno, que um dia perguntou quem nunca saiu na mão com a mulher.

NOVA VERSÃO

O segundo gol em Assunção praticamente classificou o Palmeiras para as quartas de final da Copa Libertadores, em um jogo que reuniu todos os aspectos da chegada de Luiz Felipe Scolari: escalação a seu feitio, atuação conforme suas preferências, resultado valioso em um torneio prioritário para o clube. Será interessante perceber como Scolari utilizará um elenco que não foi montado por ele e, por características, está mais apto a um tipo de futebol diferente, principalmente no que diz respeito aos jogadores de meio de campo mais técnicos. Vale lembrar que Alex jogava, e muito, no time campeão continental em 1999.



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