No alto



1 – Joao Rojas foi duas vezes abraçado pela sorte antes que o jogo no Morumbi completasse dois minutos. Não era a intenção do atacante equatoriano fazer o passe para Militão, mas dominar a bola enviada por Everton. O desvio acidental criou a jogada de fundo e, após o cruzamento e o corte de Ricardo Graça, a bola bateu em Rojas e entrou.

2 – Gol se celebra do jeito que for, e um gol tão precoce é a maneira mais agradável de iniciar uma partida. Um impulso para o São Paulo no sentido da vitória e da liderança; um drama para o Vasco, pelo acréscimo de dificuldade fora de casa. A vantagem permitiria ao time dirigido por Diego Aguirre minimizar a tomada de riscos, exatamente a obrigação que se impôs ao Vasco logo no início.

3 – Ricardo Graça poderia ter se envolvido em mais um gol, aos quatro minutos, mas a favor do Vasco. Sidão saltou para o canto direito e defendeu o cabeceio do zagueiro, após a cobrança de falta de Pikachu.

4 – Claramente desconfortável com mais posse e maior necessidade de criar, o Vasco facilitava o trabalho de seu adversário com pouquíssimo jogo. E como o São Paulo optou por se defender primordialmente em seu campo, o encontro se manteve frio como a temperatura paulistana. O intervalo chegou com um recado claro aos dois times, em igual medida: era necessário jogar bem mais.

5 – E no caso do São Paulo, pela ambição que se justifica no campeonato, a falta de jogo chama a atenção mesmo dentro de uma ideia de espera e reação. O julgamento não é ao modelo, que parece ser o mais indicado para o elenco e o momento, mas ao que se faz em sua execução. Qualquer jeito de jogar precisa gerar alguma coisa, ao invés de aguardar por um presente.

6 – Porque presentes não escolhem lados, como se viu no recomeço. Bola para o alto, Arboleda ficou reclamando uma falta enquanto Giovanni Augusto acionou Pikachu em velocidade: 1 x 1. Gol impossível de classificar como merecido, pois simplesmente aconteceu. Como poderia ter acontecido em uma conexão idêntica entre Nenê e Diego Souza. Um jogo de casualidades.

7 – Giovanni Augusto era um dos poucos jogadores em campo capazes do lance diferente, que quebra a monotonia das estruturas rígidas tão comuns no futebol. Pode ser um viabilizador, como no movimento do empate, e também um finalizador, como se viu ao receber o passe de Ramon e buscar o canto do gol de Sidão. O chute em curva passou muito perto.

8 – Com meia hora de segundo tempo, o Vasco já fazia jus a um resultado melhor diante de um São Paulo inoperante, em casa e com a liderança ao alcance. Aguirre ativou o modo ataque aéreo total ao substituir Nenê e Diego Souza por Carneiro e Tréllez.

9 – Surtiu efeito rápido. Everton venceu a disputa com Luiz Gustavo e levantou a bola na área para o cabeceio de Tréllez. Um gol desenhado pelas alterações de Aguirre, que terminou por resgatar um segundo tempo ruim do novo líder do Campeonato Brasileiro.

ROTAÇÕES

O principal aliado do São Paulo é o calendário. Uma possível – provável, após a derrota para o Colón? – eliminação na Copa Sul-Americana significará forças totalmente dedicadas ao Campeonato Brasileiro, possibilitando uma administração do elenco sem o quebra-cabeças imposto por competições simultâneas. A vantagem em relação aos times que estão na Copa do Brasil e na Copa Libertadores é significativa, a não ser, claro, para quem acha que a rotação de jogadores por causa do desgaste físico é “frescura” e/ou “coisa de jogador mimado”. A alimentação a esse tipo de ignorância serve para manter o debate sobre futebol preso ao desconhecimento e à superficialidade. Se tomado ao pé da letra, o plano de “priorizar todas as frentes” diminui as possibilidades em todas elas, como Renato Gaúcho afirma desde a temporada passada. A questão é a estratégia de rotações conforme os objetivos que são considerados mais importantes, o que pode variar de clube para clube.



MaisRecentes

Amanhã



Continue Lendo

Novo



Continue Lendo

Virtual



Continue Lendo