Convicto



“Queremos impor o nosso estilo. Nossa ideia é jogar no campo do oponente e isso significa que vamos dominá-lo. Nós tentaremos conectar as três linhas do nosso time sem usar bolas longas”. Marcelo Bielsa não deixou espaço para dúvidas na entrevista que antecedeu sua estreia como técnico do Leeds United, amanhã, pela primeira rodada da Championship, a segunda divisão do campeonato inglês. Seria alarmante se fosse diferente, uma vez que o treinador argentino não admite reticências no que diz respeito a como suas equipes interpretam o futebol. “Meu estilo não é melhor ou pior do que nenhum outro, é apenas o estilo no qual eu acredito”, explicou. Bielsa é um tipo que não tem nenhuma intenção de agradar a quem quer que seja quando fala, de modo que não há por que tomar suas palavras como ferramentas a serviço de uma agenda pessoal.

Seu jogo, sim, é a expressão de convicções muito particulares a respeito do esporte ao qual se entrega de maneira obsessiva, uma das razões do apelido de “o louco”. Em Leeds, Bielsa retorna ao futebol após uma aventura malsucedida no Lille que durou apenas treze jogos e migrou para a justiça francesa. Aconteça o que acontecer, os donos do tradicional clube inglês, que não frequenta a Premier League desde a temporada 2003-2004, não poderão lançar mão da desculpa de que não conheciam bem o técnico que contrataram para remodelar o time. “Eu prefiro jogadores que tenham criatividade. Aceito o risco que você corre quando tenta sair jogando desde a defesa”, declarou Bielsa. “Não critico um time que joga com bolas longas, que especula, que espera para atacar, mas a minha filosofia é a que eu posso transmitir e está profundamente enraizada no respeito às regras. As regras são uma proteção ao futebol criativo”, completou.

A marca de futebol de Bielsa é precisamente aquela que, até pouco tempo, se considerava impossível de praticar no ambiente inglês. Pep Guardiola passou várias entrevistas coletivas durante o primeiro ano no Manchester City ouvindo questionamentos sobre seus princípios de jogo e perguntas retóricas sobre a possibilidade de abandoná-los. Algo semelhante deve acontecer com Bielsa a cada resultado desagradável, mas quem considera Guardiola um sujeito teimoso conhecerá a figura da qual essa teimosia se origina. Bielsa repetirá a explicação de suas convicções tantas vezes quantas forem necessárias, com o mesmo discurso introspectivo, porém valioso, que o acompanha desde o início. O Leeds não pode ter ido buscá-lo em casa apenas para conduzir o time de volta à primeira divisão. Para isso, há muitos outros técnicos mais apropriados.

Sempre haverá aquele sujeito que acompanha futebol à distância e, por pura confusão em relação ao que é este jogo, perguntará “o que Bielsa venceu?”. Uma redução que dispensa as opiniões de treinadores que sabem como é complexo construir e dirigir equipes e o tratam com reverência. Conta-se que os torcedores do Leeds seguem em postura de negação do declínio do clube, com exigências mais altas do que o time tem tido capacidade de oferecer. Em Bielsa, eles agora têm um técnico que pretende entregar um tipo de futebol que jamais viram.

GRANDE NOITE

Falando em “futebol criativo”, Grêmio e Flamengo mostraram o que o país tem de melhor atualmente, no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Era natural esperar uma partida de alto nível pelo encontro de duas equipes que levam o jogo ao campo adversário e que dedicaram suas melhores forças ao confronto. O segundo tempo do time dirigido por Barbieri merece destaque, e não porque foi premiado com um gol ao final, mas pela maneira como buscou o empate. O elogio seria merecido mesmo que o Grêmio tivesse vencido. É lógico imaginar uma noite ainda melhor na volta, quando a vaga nas semifinais será decidida.



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