Sem retorno



A utilização do sistema do árbitro de vídeo nos jogos da fase de quartas de final da Copa do Brasil pode não parecer uma novidade, por causa da introdução ao tema em escala planetária durante o Mundial da Rússia. Mas, no futebol brasileiro, o que se verá nesta quarta-feira é um marco, além de um evidente avanço na direção de uma competição protegida de erros decisivos da arbitragem. Torneios disputados em confrontos eliminatórios tendem a maximizar o impacto de equívocos do apito, de modo que os oito times que disputam o título – e seus torcedores – devem estar satisfeitos com o auxílio de uma ferramenta que aumenta dramaticamente a possibilidade de resultados coerentes com o desempenho dos jogadores em campo.

A CBF anunciou em fevereiro a estreia do VAR no futebol do país. Embora seja lamentável que a confederação e os clubes não tenham chegado a um acordo sobre o uso do sistema no Campeonato Brasileiro, sua implantação na Copa do Brasil é um passo adiante. E como houve prazo suficiente para as providências técnicas e o treinamento daqueles que operarão o equipamento (uma exigência do International Board), espera-se que o árbitro de vídeo nacional tenha uma estreia, digamos, suave. E que os jogadores e treinadores das equipes envolvidas estejam bem informados a respeito do funcionamento do protocolo, para evitar a impressão de que o VAR é bom quando ajuda e ruim quando prejudica o time de cada um, a exemplo do que se costuma dizer sobre os próprios juízes.

A propósito, criticar o árbitro de vídeo é como reclamar da regra do recuo para o goleiro ou pedir a volta do impedimento passivo. Assim como se deu em outras modalidades, sem arrependimentos, o futebol decidiu adotar o auxílio eletrônico à arbitragem em certas ocasiões. Não se trata de uma experiência temporária ou algo que pode ser alterado. O VAR foi testado, aprovado e introduzido nas regras do jogo da forma como o mundo viu durante a Copa da Rússia. Depois que as estatísticas derrubaram reclamações insistentes sobre o tempo de interrupção do jogo e o percentual de acerto em decisões, a última onda de rejeição acusa o sistema de ser uma desculpa para árbitros ruins evitarem se comprometer. O argumento é provavelmente um recordista em desonestidade, uma vez que utiliza a imagem da televisão para desqualificar aqueles que, agora, podem se valer deste mesmo recurso para ter um desempenho melhor.

A Copa do Mundo mostrou que o VAR não é infalível e não vai eliminar todos os erros da arbitragem nos jogos de futebol, uma expectativa irreal e até certo ponto infantil, própria de quem opta por não entender como, quando e, principalmente, por que o sistema é utilizado. Nesta semana, o Brasil se incluirá na lista de países em que a tecnologia é aplicada à arbitragem, sem qualquer motivo para que não seja amplamente compreendida pelo público como um benefício ao esporte. Foi o que aconteceu, por exemplo, na Itália, onde a relação passional com o futebol não impediu as pessoas de perceber que os ajustes feitos ao jogo são muito menos incômodos do que uma partida decidida por um gol em impedimento.

EMBATES

Interessante disputa pela liderança do Campeonato Brasileiro entre Flamengo e São Paulo. Duas maneiras opostas de interpretar o futebol, dois técnicos de características bem distintas, dois pontos de distância entre eles.

INDECISO

O Santos é apenas o clube da vez, mas representa o que se passa com a maioria quando a questão é escolha de treinador. Ao sabor dos ventos, considera os três perfis de técnicos mencionados na coluna de anteontem: o “estrangeiro”(Juan Carlos Osorio), o “estudioso” (Zé Ricardo) e o “experiente” (Vanderlei Luxemburgo). É como entrar no site de uma companhia aérea para comprar uma passagem de avião e tentar preencher o destino com a palavra “desconhecido”. Não é possível.



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