Olhares



Ao redor do vigésimo-quinto minuto do jogo contra o México, saiu do banco da seleção brasileira uma ordem para alterar a disposição dos jogadores em campo. Paulinho deveria passar a jogar na mesma altura de Casemiro, com a formação de uma segunda linha de quatro jogadores à frente da defesa. Neymar deveria se adiantar para fazer companhia a Gabriel Jesus. O 4-4-2, uma novidade na maneira de jogar do time, tinha os objetivos de proteger os laterais e retirar Philippe Coutinho do combate viril ao qual estava exposto como meia, com dificuldades para marcar e criar.

O Brasil tomou o controle do encontro, mas só se adiantou no placar no início do segundo tempo, quando Neymar e Willian, libertado da ponta direita, combinaram para construir o primeiro gol. O segundo, que encerrou qualquer dúvida sobre qual time avançaria no Mundial, veio já no final, quando um terceiro atacante – Roberto Firmino – estava no gramado para aumentar o poderio ofensivo da equipe. Quando o jogador do Liverpool entrou na partida, Gabriel Jesus e Coutinho já tinham invertido posições, com Jesus em função defensiva à esquerda na linha do meio-campo. Um Brasil em modo de finalização de adversários.

É intrigante que as mudanças de comportamento da seleção dentro de um jogo, primeiro com os mesmos jogadores e depois com substituições, não tenham recebido o devido reconhecimento daqueles que insistem em “outra maneira de jogar” e/ou apontam a ausência do “jogador que muda partidas” a cada vez que o time encontra problemas. Os tópicos preferidos foram a reação de Neymar após ser deliberadamente provocado com um pisão no pé machucado e a declaração infeliz de Juan Carlos Osorio, que gerou uma oportuna intervenção de Tite na entrevista pós-jogo. Curiosa escolha de assuntos.

Esta foi a segunda ocasião na Copa do Mundo em que a seleção Brasileira exibiu variação tática. Ao contrário da primeira, em que a equipe ficou estática no campo de ataque contra a Costa Rica, desta vez os jogadores se mostraram absolutamente cômodos no sistema que os conduziu à vitória sobre os mexicanos. A fluidez do 4-4-2 surge como uma alternativa viável – talvez aconselhável – para o jogo contra a Bélgica, indício de que o time está preparado para lidar com as exigências de um Mundial com abordagens que não eram conhecidas. Isto tem nome: repertório. Não é garantia de nada, mas ao menos deveria ser notado.



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