O próximo?



Quando Kylian Mbappé acelerou no campo de defesa da Argentina no décimo-primeiro minuto do jogo em Kazan, Javier Mascherano e Marcos Rojo não foram os únicos a se sentir diante de uma nova força do futebol. Também não foram os últimos adversários deixados para trás pelo jovem atacante francês, habituado a superar marcadores com a bola dominada como se uma lei da natureza os impedisse de acompanhá-lo. O futebol costuma se reciclar produzindo jogadores que parecem versões melhoradas de nomes que marcaram épocas, embora nem sempre as aparências se confirmem. Aos dezenove anos, Mbappé vai além das comparações em um aspecto que chega a assustar: ele se move em outra escala, com outros parâmetros. Assumindo que seus gestos com a bola ainda amadurecerão, a questão que se impõe é relativa ao teto de um jogador que já possui uma atuação espetacular em Copas do Mundo no currículo.

Lionel Messi e Cristiano Ronaldo nunca tinham sido eliminados de um torneio jogando no mesmo dia. A temporada europeia de clubes de 2011/12 teve a ocasião mais próxima do que aconteceu anteontem: Messi caiu na Liga dos Campeões em 24 de abril de 2012; Ronaldo, no dia seguinte. O sábado na Rússia viu as despedidas de ambos nas oitavas de final do que pode ter sido o último Mundial deles, astros sem gols marcados em jogos eliminatórios, vítimas de quem julga ser razoável avaliar a grandeza de jogadores por suas carreiras na seleção. Portugal ainda terá a felicidade de recordar a conquista da Euro 2016 – uma competição que já foi vencida pela Grécia – como o momento definitivo de Ronaldo com o uniforme nacional. A Argentina deverá explicar como foi possível ter Messi por um período que compreendeu quatro Copas do Mundo e não ter dado a ele companhia suficiente para ganhar ao menos a Copa América.

Nada a contestar a respeito das eliminações na Rússia. A Argentina só teve chances contra a França porque o time europeu ainda é propenso à desconcentração. Em jogo, a diferença é maior do que apenas um gol. Portugal não pôde competir com a excelência uruguaia nas áreas, ou em nível de compromisso, aspecto em que o time dirigido por Óscar Tabárez segue lecionando o mundo. A Copa prosseguirá com duas seleções que mereceram avançar, sem que a ausência de argentinos e portugueses entre os oito melhores times cause surpresa, e talvez até não seja exagero dizer que perder Messi e Ronaldo no mesmo dia não é dramático em termos de atração. Cavani e Suárez, Modric e Rakitic, Hazard e De Bruyne, Neymar e Coutinho, Kane, Quintero… jogarão pelo menos mais uma vez, e quem sabe o que ainda poderão fazer em um Mundial que evidencia que o futebol é um jogo de equipes?

O que também se aplica a Mbappé, que já tem seu nome escrito na mesma frase que Pelé (o último jogador dessa faixa etária a marcar dois gols em um jogo de Copa) sem que isso seja uma hipérbole imediatista ou uma dessas barbaridades comuns em redes antissociais. As menções a Thierry Henry e Ronaldo Nazário talvez se justifiquem por características de jogo, embora o caminho a percorrer, especialmente em relação ao brasileiro, seja muito longo. Mbappé é o próximo? O jogo em Kazan pode ter sido a visão de um futuro cujo protagonista segue olhando para a Copa do Mundo com ambição e sonho, algo que não é mais permitido a Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

VAZIA

A Espanha aumentou o grupo das campeãs que se despediram da Copa, caindo nos pênaltis após mais um jogo em que se mostrou confusa, como se tivesse esquecido o que a tornou vitoriosa. Os índices de posse de bola voltaram a ser apresentados como o “caminho errado”, em um debate que assusta pela recorrência e, ainda mais, pela incompreensão. Não existem fórmulas automaticamente vencedoras no futebol, mas a sabedoria de executar as ideias corretas conforme o que se tem e o que se deseja. Mais uma vez, a Espanha pareceu não possuir as ideias e a execução.



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