Novidade



É quase impossível prever como atuará um time dirigido por um técnico que, em cinquenta e uma partidas, só repetiu a escalação uma vez. O trabalho de Juan Carlos Osório na seleção mexicana é baseado nas mutações necessárias para maximizar as possibilidades de sucesso, sempre à procura do detalhe que pode desequilibrar a balança a seu favor. É a característica de um treinador que não se cansa de esmiuçar os adversários para identificar comportamentos que podem ser explorados, e que não tem receio de alterar a estrutura do próprio time ou determinar papeis surpreendentes no plano individual. O México é uma novidade constante para quem o acompanha e uma dúvida para quem o enfrenta, o que torna o jogo da próxima segunda-feira ainda mais interessante.

No âmbito da observação de oponentes, é evidente que a comissão técnica da seleção brasileira faz o mesmo, embora as transformações no adversário das oitavas-de-final dificultem a missão. No entanto, o que o México mostrou contra a Alemanha, especialmente no primeiro tempo, oferece algum sentido para o encontro com o Brasil. Talvez tenha sido a exibição tática mais marcante de toda a fase de grupos do Mundial, não só pela maneira como os alemães foram surpreendidos, mas, claro, pelo resultado final. O que é certo é que foi uma prova de que, além da capacidade de planificação, não faltam ao time mexicano a confiança em seu líder e a coragem para aplicar o que foi combinado, mesmo que do outro lado estejam jogadores consagrados e uma camisa estrelada.

O que chamou a atenção na atuação do México na estreia: marcação individual sobre Kroos, exploração do espaço resultante dos avanços de Kimmich e o posicionamento de três homens para o contra-ataque ao defender faltas e escanteios. O curioso é que Kroos foi vigiado por Vela e Chicharito, dois jogadores normalmente envolvidos no aspecto ofensivo; e que, ao se concentrar na estratégia de ataque pelo lado esquerdo, o outro lateral, Plattenhardt, foi quase que totalmente esquecido pela localização mais interna de Layun, o meiocampista mexicano que jogou à direita. Osório ordenou pressão para recuperar a posse e passes verticais para os atacantes entre as linhas, consistentemente às costas do lateral-direito, por onde foi construída a jogada do gol da vitória, em um contragolpe impecável. Empurrado para trás no segundo tempo, o México não conseguiu mais nada em termos ofensivos, mas o estrago no placar já estava feito.

Assumindo a possibilidade de um plano semelhante, o jogador brasileiro a ser acompanhado individualmente seria Coutinho, mas está claro que a seleção gera mais problemas. A questão dos laterais, por exemplo, é importante. Se Marcelo estiver disponível, Osório pode armar um mecanismo parecido com o que dedicou a Kimmich e tentar penalizar o espaço atrás dele, algo menos provável se Filipe Luís jogar. De qualquer forma, o México se arriscaria demais se ignorasse um lado do gramado como fez contra a Alemanha. Ademais, Thiago Silva, Miranda e Casemiro têm feito atuações seguríssimas na Copa como pilares de um sistema defensivo que sofreu apenas um gol. Sem falar na necessidade de conter Neymar e o ataque do Brasil.

As surpresas muito provavelmente estarão por conta de Osório, tanto na formação do time quanto nas ideias. O Brasil deve seguir pelo caminho da regularidade e da crença nas próprias virtudes. No balanço das exigências, o jogo de depois de amanhã é muito mais difícil para o México, que tem menos a apresentar e mais com que se preocupar. Mas além da ausência de um respeito excessivo por parte do time mexicano, e da confiança decorrente da vitória sobre a Alemanha, a responsabilidade pertence inteiramente à seleção brasileira, em sua primeira partida eliminatória, de fato, sob o comando de Tite.



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