Retorno



O movimento do primeiro gol do Brasil é um dos bons sinais da atuação que classificou a seleção em primeiro lugar em seu grupo, de certa forma um retorno à maneira de atuar que caracterizou o time durante as Eliminatórias para a Copa. A autoria de Paulinho traz o bônus de devolver confiança a um jogador que tem sido objeto da narrativa – sabe-se lá onde esse tipo de devaneio se originou… – de que “só deve jogar quando faz gol”.

Como se diz em linguagem figurada, Paulinho não deve estar, mas chegar. Por “estar” se entende um posicionamento avançado, entre as linhas de marcação do adversário, onde a ideia principal é contribuir para a circulação da bola. “Chegar” é a projeção como surpresa para ocupar uma região disponível no campo de ataque e finalizar jogadas, tal qual se deu no lance em que Philippe Coutinho – protagonista, outra vez – lhe ofereceu o gol.

A seleção brasileira sai da defesa pelas laterais, com apoios feitos pelos homens de meio de campo. Uma das tarefas de Paulinho é esse trabalho de sustentação na intermediária defensiva, acompanhando a bola e convidando o adversário a se adiantar. Ao contrário do que aconteceu principalmente contra a Costa Rica, quando o time lançou mão de uma alternativa que o desvirtuou, a posição da qual Paulinho partiu no jogo de ontem recuperou a dinâmica que o beneficia, que lhe permite “chegar”. Da origem ao espaço. O gol é um prêmio e um alívio.

Além de não corresponder à verdade, a leitura de que ele “só fez o gol” não percebe o significado da recuperação de um funcionamento coletivo que identifica esta seleção. Um funcionamento que não foi visto em seu melhor nível desde o torneio qualificatório, e que não deve ser abandonado em nome das dificuldades apresentadas pelo Mundial ou por causa da perda de jogadores lesionados, especialmente os laterais titulares, fundamentais na ideia de jogo. Não é coincidência que a atuação do meio de campo tenha sido melhor, mesmo enfrentando um time “pesado” como a Sérvia.

Nesse aspecto, é preciso aplaudir a partida de Coutinho, um jogador em sincronia com suas virtudes e pronto a disponibilizá-las à equipe, aparentemente confortável sob as pressões de uma Copa do Mundo. Também há que se perguntar como Casemiro é capaz de desempenhar todos os papeis defensivos, responder a tantos chamados de urgência e sempre, sempre se apresentar. E dizer que Neymar, focado e usufruindo do resgate de suas condições físicas, é um jogador imprescindível.



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