Decisões



A comissão técnica da seleção brasileira lida com as imposições de todas as copas do mundo. Questões de jogo se apresentam a cada rodada, lesões complicam a procura de soluções, decisões precisam ser tomadas para aumentar a probabilidade de sucesso na próxima partida. Os problemas ficam mais complexos quando o merecimento de determinados futebolistas não se encaixa com as necessidades da equipe para um encontro específico. Neste caso, a indisponibilidade de Douglas Costa, péssima notícia sob qualquer ângulo, ao menos encaminha a abordagem de uma das situações mais importantes do jogo contra a Sérvia, na quarta-feira.

Assumindo que o Brasil voltará a utilizar o sistema que vem sendo desenvolvido desde as Eliminatórias, será preciso fortalecer o meio de campo como resposta à ameaça física dos sérvios. Trata-se de uma medida de caráter defensivo, mas que também visa a garantir que a seleção seja capaz de jogar como sabe, o que não aconteceu em um longo trecho da estreia. Isso significa mover Philippe Coutinho, provavelmente o melhor jogador brasileiro neste início de Mundial, do meio para o lado direito do ataque. Com o problema muscular de Douglas Costa, que também joga por ali, a substituição fica facilitada, caso Tite entenda que a pressão sobre Coutinho na saída de bola pode comprometer não só o que ele oferece como meia, mas também todo o jogo coletivo do time. É uma análise de risco.

Há quem se incomode com a mudança, pela interferência no posicionamento de Coutinho ou pela limitação da criatividade no meio de campo da seleção. A segunda metade do primeiro tempo e quase toda a segunda parte do jogo contra a Suíça exibiram o que acontece quando o time é sobrepujado no aspecto físico, e esse é o ajuste principal para enfrentar equipes como a Sérvia. Ademais, a maneira como o Brasil atua com Tite não exige um jogador “criativo” em operação no meio de campo, mas a correta circulação da bola para promover as associações pelos lados e aproveitar a capacidade de desequilíbrio dos homens de frente. Contra times mais físicos, o setor precisa de tamanho, força e bom passe para suportar as investidas do adversário e imprimir sua forma de jogar.

Tite também tem uma questão a resolver no ataque, após duas atuações tímidas de Gabriel Jesus: preservar o nível de confiança de um jovem e permitir que o jogo lhe devolva o que tirou, ou abrir as portas a Roberto Firmino por pura meritocracia. A favor de Gabriel pesam o entrosamento com Neymar desde sua primeira convocação e a disposição para contribuir coletivamente de todas as formas possíveis. Firmino ilustra o que é “pedir passagem” com a urgência de quem sabe exatamente como fazer sua presença ser sentida. Com qualquer escolha, se o atacante pela direita for Coutinho, ele provavelmente será orientado a se desprender da linha lateral para pedir o passe, em uma dinâmica diferente da que se tem percebido com Willian.

Por fim, Neymar. Não deve ser simples, para quem sempre é analisado como o protagonista obrigatório, cumprir esse papel em condições longe das ideais. A lesão no pé o incomoda e o converte em alvo, o período de inatividade pede que ele permaneça em campo, e pouco parece funcionar como deveria também no âmbito emocional. Na quarta-feira, dois resultados favorecem o Brasil, mas a eliminação é quase certa em caso de derrota. Eis uma ocasião que merece concentração total e foco nos aspectos de jogo necessários para levar a seleção às oitavas de final, quando outras decisões estarão diante de Tite e seus ajudantes.

MESTRES

A Copa da Rússia mostrou dois momentos em que o “é agora ou nunca” se apresentou em cobranças de falta, com pouco tempo restante. Cristiano Ronaldo em Espanha x Portugal, e Toni Kroos, em Alemanha x Suécia. Ambos responderam com chutes que serão lembrados nas próximas vezes em que a situação for semelhante.



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