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É triste que o joelho de Renato Augusto tenha se transformado em um motivo para atacar sua convocação. O que em si já é uma injustiça fica ainda mais grave quando acompanhada da sugestão de suposto favorecimento, o que revela uma flagrante e inexplicável incapacidade para entender como a seleção brasileira joga. E como ferramenta para combater o que tem sido chamado de “beatificação” de Tite, é um argumento sofrível tanto na mesa de bar quanto na tela da televisão.

A começar pela ideia de que Renato Augusto foi incluído na lista final para a Copa “apenas” por seu desempenho nas Eliminatórias, como se a contribuição dele fosse um produto adquirido em uma situação de emergência e com curto prazo de validade. Não deveria ser tão complexo enxergar quando as características de um jogador se adequam ao papel que a equipe lhe pede, embora, para tanto, seja necessário observar e raciocinar em doses mínimas.

E é curioso, pois se as partidas no torneio classificatório para o Mundial servem para dizer que um jogador não deveria estar entre os escolhidos, supõe-se que ao menos algum acompanhamento foi feito e que o trabalho – com e sem posse – dos meio-campistas da seleção brasileira, da forma como foi idealizado pelo técnico e aplicado pelos jogadores ao longo de quase dois anos, foi levado em consideração. Mas talvez seja pedir muito, pois implica em mais trabalho do que simplesmente reclamar a convocação de outros jogadores, entre os quais aqueles cujas funções são completamente distintas.

É verdade que o nível de competitividade de Renato Augusto sofreu um declínio no período recente, o que não significa que não possa ser recuperado para o mês que importa. Talvez até não seja um exagero calcular que um lugar entre os titulares esteja ameaçado para o início do Mundial, ou que, de acordo com o desempenho de companheiros, o time se apresente melhor com outra escalação. Mas nenhuma conjectura converte Renato em um turista na Rússia ou um beneficiário da amizade do treinador. Ele é parte do funcionamento de um time de futebol que tem uma Copa do Mundo pela frente.

A não ser, é claro, que a comissão técnica entenda que a inflamação que o impede de treinar normalmente há uma semana o atrapalhe a ponto de prejudicar sua utilização. Nesse caso, um dos jogadores que poderiam fazer papel semelhante é Fred, o mesmo que quase foi para o Manchester City em janeiro passado, mas que na mente dos conspiradores só atraiu o interesse do Manchester United porque foi convocado.



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