Amigos



A definição mais inteligente sobre o “novo” Maracanã talvez seja de João Máximo, dita ao jornalista Paulo Vinicius Coelho, logo após a última reinauguração do estádio que de certa forma simboliza o futebol brasileiro. Referindo-se apenas ao que sentiu ao conhecer a versão atual, entregue em 2013, Máximo, que também esteve no jogo inaugural há sessenta e oito anos, simplesmente externou que tinha ganhado “um novo amigo”. Enquanto se lamentava a descaracterização, o custo astronômico, os indícios – comprovados mais tarde – de corrupção, a escolha de João Máximo foi motivada pela íntima relação com o jogo de futebol e as sensações que ele provoca.

Desde então, o Maracanã recebeu todo tipo de mau trato. Abandono, rejeição, ganância e a mais pura burrice. O que é ainda mais grave, considerando a transformação pela qual passou a propósito da Copa do Mundo de 2014. Mas o sentimento de “ganhar um novo amigo” se renova quando as coisas conspiram para uma tarde de feriado nacional, com futebol, e as providências acertadas são tomadas para que as pessoas queiram e possam ir ao Maracanã. E uma vez lá, preencham o estádio com a personalidade que se tornou famosa, tomem parte do espetáculo que não existe sem elas e, de fato, colaborem para que o resultado final seja aquele que esperavam.

O que se viu durante a vitória do Flamengo sobre o Bahia foi uma janela para o que o Campeonato Brasileiro deveria ser, não só em uma tarde de Corpus Christi, mas com a frequência que a importância do futebol no país justifica. E é evidente que a torcida do Flamengo acrescenta um caráter especial ao ambiente, o que enfatiza a exceção. Quem acompanha futebol se desacostumou a ver o Maracanã com cinquenta mil pessoas, e é justamente por isso que as imagens de anteontem sugerem algo ficcional. É curioso relacioná-las ao treino aberto que houve ali, em abril, na véspera do jogo contra o Santa Fe. No dia seguinte, o encontro foi realizado com portões fechados, como punição pela noite em que mais de sessenta mil foram ver a final da Copa Sul-Americana e inúmeras falhas de organização ocorreram.

A questão da utilização do Maracanã obviamente é apenas mais uma, mas é complexa e triste a ponto de merecer destaque. Quando o normal passa a ser o impasse e a política de preços que resulta em espaço vazio, eventos como Flamengo x Bahia exibem o quanto se perde em tantos aspectos, especialmente naquele que é a vocação de um lugar, continuamente desrespeitada, que um dia resolve se apresentar para realçar a própria ausência. Sem falar no impacto da conexão torcedor-jogador nos destinos da partida e na própria experiência de quem está em campo, algo que se pode comprovar ao ouvir jogadores após esse tipo de ocasião.

Ao final do jogo, Vinícius Júnior foi visto na fronteira entre o gramado e as cadeiras, abraçado e fotografado por torcedores que muito provavelmente não poderão fazê-lo de novo. O jovem astro logo estará longe, e ir ao Maracanã se tornou uma proposta complicada. Só havia sorrisos ali, dele e deles, em um momento de legítima felicidade que remete à frase de João Máximo. Não há explicação para que novos amigos deixem de ser feitos em tardes e noites de futebol no Maracanã.

PRESENTE

É assustador pensar que Roger Machado pode ter seu trabalho interrompido no Palmeiras se perder o clássico de logo mais para o São Paulo. Se não fosse o histórico – e o resultado – das mudanças de técnicos no ano passado, a própria situação do rival deveria ser suficiente para que Roger recebesse suporte. Ou então as pessoas que tomam decisões no Palmeiras admiram a linha de pensamento de “trazer qualquer um”.

FUTURO

De tudo o que Zinedine Zidane não disse, e se diz a respeito de sua saída repentina do Real Madrid, o mais interessante é o que ele fará quando retornar ao futebol. Está claro que, assim como quando jogava, Zidane é diferente.



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