Anormal



Meios de comunicação portugueses, como o jornal “A Bola”, informam que os jogadores do Sporting pretendem solicitar rescisão unilateral de seus contratos após a decisão da Taça de Portugal, neste domingo. Os argumentos são a insegurança e a falta de condições psicológicas para seguir no clube de Lisboa após os eventos da última terça-feira, quando o local de trabalho deles foi invadido por vândalos encapuzados que agrediram futebolistas e membros da comissão técnica e departamento médico. Em reunião com o sindicato de classe, os atletas do Sporting se comprometeram a entrar em campo no fim de semana, afastando a hipótese de um W.O. como forma de protesto. A partir de segunda-feira, porém, cada profissional decidirá como prosseguir com sua carreira após o episódio de violência, em meio a rumores de que alguns pediram a suas famílias que deixassem a cidade.

O que aconteceu no centro de treinamentos de Alcochete é inadmissível e semelhante ao que frequentemente se passa aqui no Brasil. É mais grave, por óbvio: houve agressão física. O atacante holandês Bas Dost foi jogado no chão e chutado na cabeça. As fotos dos cortes em sua testa não dão margem a qualquer dúvida sobre a ferocidade e a covardia do ataque. Bas Dost se disse “vazio” e “chocado” pela experiência, mas voltará a vestir ao menos mais uma vez a camisa do Sporting contra o Desportivo das Aves, no jogo decisivo. Desde terça-feira, o Sporting não fez nenhum treino de preparação e cancelou a visita de ontem ao local da partida, o Estádio Nacional. É surreal a posição em que jogadores e comissão técnica se encontram, obrigados a digerir uma barbaridade dessa magnitude nos dias anteriores à disputa de um troféu.

Vinte e três “torcedores” foram detidos pela polícia. A invasão ao centro de treinamentos do Sporting foi condenada em todo o país, por políticos e personalidades do esporte. Mas pouco se fala em punição ao clube, que permitiu que cerca de cinquenta baderneiros entrassem em sua propriedade e batesse em seus funcionários. A base legal para rescisão contratual dos atletas é evidente, mas uma possível debandada de jogadores não deveria ser o único preço cobrado do Sporting pelo episódio, especialmente se restar comprovado que a relação desagastada entre eles e o presidente Bruno de Carvalho está relacionada ao ataque. É muito difícil convencer qualquer pessoa com um mínimo de bom senso que o clube não foi ao menos negligente na proteção ao time de futebol.

A repetição desse tipo de situação, independentemente de onde ocorra e do nível de ameaça, é um teste para o futebol e para quem o acompanha. Além da relativização que sempre sugere o pensamento de que “poderia ter sido pior”, o tratamento violento a futebolistas pretende impor o raciocínio de que faz parte da rotina, assim como pedidos de autógrafos e selfies. O que varia é a percepção. Absurdo. Não pode ser assim. E para que não seja, é necessário que fique claro a todas as partes que não haverá tolerância. Que agressores sejam punidos. Que clubes e dirigentes sejam responsabilizados. Que as pessoas que realmente vivem o futebol estejam livres desse absurdo.

PASSES

Maicon, do Grêmio, está na lista de 35 nomes que a CBF enviou à Fifa para a Copa do Mundo. O motivo: seus índices de passes para a frente, que eliminam jogadores adversários e ajudam a romper linhas de marcação. Ninguém deveria estar surpreso.

PASSOS

O que o Corinthians deveria fazer com relação à possível saída de Fábio Carille? Primeiro, obviamente, tentar ao máximo convencê-lo a ficar. Se não conseguir, garantir que a linha de trabalho que ele realiza desde o ano passado prosseguirá com outra pessoa no comando, preferencialmente alguém que já faça parte dela. E evitar que a saída de jogadores signifique que o novo técnico terá de reconstruir o time com a temporada em andamento.



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