Saída



Se as coisas andarem bem na trajetória de Arthur, o jovem meio-campista do Grêmio desfrutará de uma carreira de sucesso na Europa, como figura central das equipes em que atuar. Também criará raízes na seleção brasileira, longas e fortes a ponto de disputar algumas edições da Copa do Mundo. A próxima parece ter chegado muito cedo, embora seu nome tenha feito parte das considerações da comissão técnica até o dia da convocação. Como medida de talento e potencial, o desejo de vê-lo na lista de vinte e três jogadores chamados na segunda-feira é lógico. Como possibilidade de utilização e oferta de opções, há razões futebolísticas para explicar sua ausência.

Arthur não foi selecionado porque se fez a escolha por Fred. O jogador do Shakhtar Donetsk é mais agudo e apresenta um movimento entre as linhas de marcação adversárias que faz dele uma alternativa mais atraente. Fred não “venceu” apenas por ter experiência na elite do futebol mundial, mas também por isso. É um critério plenamente respeitável quando se trata de dois jogadores de perfil semelhante, ainda que Arthur possa se revelar um futebolista superior com o passar dos anos. Aliás, entender a opção por Fred não significa julgar que ele é melhor do que Arthur; não a compreender é não enxergar como a seleção brasileira joga.

Em quase dois anos de trabalho, Tite construiu um time que sai jogando de seu campo utilizando os laterais e apoios. Entre argumentos táticos, é uma decisão coerente com a capacidade dos futebolistas que ocupam essas posições, Daniel Alves (até a semana passada) e Marcelo. É uma saída feita com os jogadores de meio de campo acompanhando a bola e/ou se associando pelos lados, ao invés do recuo de um deles para atuar entre os zagueiros e com praticamente todo o time por diante, o que seria ideal para Arthur. A forma como uma equipe transporta a bola desde as proximidades da própria área e evolui ao outro lado do campo é seu documento de identidade, o início de tudo o que pretende fazer. O aperfeiçoamento desse movimento por intermédio da compreensão, da prática e da competição é um processo muito importante e complexo para ser alterado às vésperas de um Mundial.

Arthur poderia fazer os papeis dos outros jogadores de meio? Hoje, pensando no que se pede a eles com e sem posse, dificilmente. E como possibilidade de substituição, Fred foi preferido. O pedido por Arthur não deveria se basear na sua qualidade, que é óbvia, mas no argumento de que a saída de bola da seleção brasileira deveria ser reconstruída em nome dele. A um mês da estreia, não parece uma proposta razoável.



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