Em controle



1 – O fato de a primeira falta do jogo ter acontecido no quinto minuto (Marcos Rocha em Romero) sugeriu que a disposição para jogar – e não apenas brigar – era compartilhada pelos dois times em Itaquera. É nos lances de disputa de bola, geralmente tratados como “questão de honra”, que jogos como esse costumam se perder.

2 – Mas Anderson Daronco começou a ter problemas aos vinte minutos, quando as reclamações dos jogadores usaram um tom mais agressivo. Um dos males do futebol brasileiro continua sendo a forma como árbitros são pressionados em encontros de maior rivalidade, expediente que só os prejudica.

3 – O clássico oferecia muito pouco até uma sequência de lances a partir do minuto trinta e seis. Thiago Santos estava aparentemente adiantado quando um passe de cabeça de Keno o deixou livre para finalizar. O chute forte bateu na trave. No momento seguinte, Pedrinho começou a criar o gol do Corinthians ao se livrar de dois marcadores a acionar Jadson, no lado esquerdo. Dele para Maycon e Rodriguinho, desmarcado: 1 x 0.

4 – A jogada característica do Corinthians – início por um lado, desenvolvimento pelo outro, ultrapassagem e passe para o centro da área – levou ao gol no momento em que o Palmeiras tinha o dobro de finalizações (4 x 2) e parecia mais confiante. O diferencial foi o drible de Pedrinho.

5 – Não era um clássico brilhante, mas disputado com franqueza. Os rivais se concentraram no que sabem fazer, cada um a seu modo, sem exageros de valentia. Com o relógio como oponente, o time de Roger se viu obrigado a ser mais insinuante, colaborando para o cenário em que o Corinthians se sente cômodo.

6 – Na altura da metade do segundo tempo, uma novidade: em vez de aceitar o avanço palmeirense, como fez no segundo jogo das finais do campeonato estadual, o Corinthians passou a se empenhar em manter a bola longe de seu gol, jogando. Preferencialmente com Romero no setor de Marcos Rocha e Antônio Carlos.

7 – Jailson impediu o segundo gol em três ocasiões, defendendo dois chutes de Pedrinho e um cabeceio de Rodriguinho. Era evidente o momento de superioridade do Corinthians e a oportunidade para definir o clássico.

8 – Atuação dominante do time de Carille no ponto de vista defensivo, em controle na maior parte do tempo, e especialmente na segunda metade. O número de passes interceptados revela uma equipe bem posicionada e preparada para os padrões de jogo do adversário. Mas o cabeceio de Antônio Carlos, na trave, foi uma exceção que poderia ter levado ao empate.

9 – O baixo rendimento individual de Lucas Lima, Dudu e Borja comprometeu a partida do Palmeiras, que não melhorou com as substituições feitas por Roger. Após a série de vitórias fora de casa, conquistadas com alto desempenho, o time foi dominado em Itaquera.

10 – Os eventos da decisão do Campeonato Paulista não contaminaram o clássico. Além de um pequeno entrevero entre Dudu e Maycon, logo contido, nada mais desviou o jogo de seu caminho natural. Palmeirenses reclamam de um malabarismo de Romero no final, controlando a bola com a cabeça para massagear a torcida. Felizmente não passou disso.

FEIO

A arbitragem de Wilton Pereira Sampaio no Gre-Nal de sábado recebeu muitas críticas, como já é quase uma lei no futebol brasileiro. Deixando de lado a contagem de lances discutidos e as possíveis falhas do apitador, é necessário observar que o clássico gaúcho foi tumultuado pelos próprios atores desde o primeiro minuto. Foi raro ver qualquer decisão ser aceita com um mínimo de compreensão pelos jogadores, frequentemente interessados em contestá-las como se isso fosse uma estratégia viável. Esse nível de assédio a árbitros causa um enorme dano a jogos de futebol, além de revelar que não há a menor intenção, por parte de ninguém, de colaborar para que as coisas corram bem. E quando não correm, como foi o caso, culpa-se o árbitro.



MaisRecentes

Pertencimento



Continue Lendo

Vitória com bônus



Continue Lendo

Anormal



Continue Lendo