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No jogo em que se tornou o futebolista mais vezes campeão na história, Daniel Alves ficou mais longe do troféu que lhe falta. A lesão no joelho direito não o impediu de celebrar o título da Copa da França – trigésimo-oitavo em dezessete temporadas como profissional – pelo Paris Saint-Germain, mas pode inviabilizar sua participação na Copa do Mundo da Rússia, onde estará em jogo a única condecoração que ele ainda deseja. Nem mesmo um vencedor serial do futebol mundial está imune aos dramas dos ligamentos cruzados, responsáveis por carreiras interrompidas e objetivos adiados.

Não há nenhum título não oficial na lista de coleções de Daniel. Uma conquista pelo Bahia, cinco pelo Sevilla, três pela seleção brasileira, vinte e três pelo Barcelona, duas pela Juventus e quatro pelo Paris. O futebol é um esporte coletivo e os troféus às vezes se permitem tocar por jogadores que talvez não os mereçam, o que não se aplica ao lateral direito que Tite gostaria de convocar na próxima segunda-feira. Até aqueles que lhe têm antipatia e poderiam “acusá-lo” de ser apenas um abençoado pela sorte já devem ter percebido que é melhor não passar essa vergonha. E se Daniel fosse mesmo um sortudo não estaria agora, às portas do Mundial, aflito por seu joelho.

Evidentemente ele não está sozinho. Considerando todas as posições, é na lateral direita que a distância entre titular e reserva é maior na seleção. Como se isso não bastasse, o futebol de Daniel é fundamental para o jogo que Tite quer mostrar na Rússia. O que cria um dilema para o técnico: convocar um jogador que pode se tornar indisponível daqui a três semanas ou pensar em um time sem ele. Na primeira hipótese, além de ocupar uma vaga na lista, perde-se um tempo precioso de preparação. Na segunda, é preciso ajustar ideias e comportamentos em nome da entrada de alguém que, em tese, não estaria em campo. Depois da lesão de Neymar, seria difícil imaginar um problema maior. Mas aí está.

Nenhum dos possíveis reservas de Daniel Alves o substituiria à altura. Fagner, Rafinha e Danilo disputariam duas vagas na convocação e uma na escalação da estreia. Seria uma corrida aberta para convencer Tite e assim manter o modelo, uma situação na qual Danilo pode se beneficiar por força, altura, versatilidade e status. Claro, sempre há a opção pela improvisação, o que parece uma rota radical demais para um técnico com as convicções de Tite e o momento que se apresenta.



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