O diferente



Muitos gremistas podem não dar a mínima importância, pois a relação de cada um com seu time de futebol é uma questão cardíaca que não se abre a debates, mas é necessário abordar – e aplaudir – o papel feito pelo time gaúcho em um contexto nacional de atuação. Não se trata de um papel intencional, no sentido de dar exemplo, mas o efeito é evidente por causa do contraste. O Grêmio joga, gosta de jogo, e isso o diferencia num ambiente em que a competição se dá mais com luta e erro por parte da esmagadora maioria.

Não é uma conversa sobre o que vem a ser jogar bem, independentemente da carga subjetiva que pertença a esse debate. É algo prático: enquanto a configuração padrão no Brasil é tentar ser competitivo a cada jogo, o Grêmio oferece outras possibilidades. A proposta de atuar com a mesma ideia em qualquer lugar e contra qualquer adversário permite que se espere um desempenho dominante contra o Cruzeiro, no Mineirão, por exemplo. E o nível de amadurecimento desse comportamento sugere a destruição de visitantes à Arena, como se deu com o Cerro Porteño, anteontem.

Em termos práticos, é um time que cai muito bem aos olhos neutros, o que dá a medida do que deve fazer com os olhos tricolores que se importam com o como. Porque a certeza da chance de vitória, já tão automatizada quanto os mecanismos em funcionamento na equipe, é complementada por uma camada de brilho coletivo que gera as melhores sensações. Novamente, para evitar má compreensão: não se afirma aqui que o Grêmio joga para ser assim. O Grêmio é assim porque considera que essa é a versão que o aproxima dos objetivos. A concorrência não precisa se sentir diminuída, apenas descobrir uma forma de lidar com isso.

Pessoas bem informadas a respeito do ambiente do time mencionam uma influência determinante de Renato Portaluppi na confiança dos jogadores. Faz total sentido, tendo em vista que poucas pessoas no futebol brasileiro transpiram consciência da própria capacidade como o treinador gremista. Evidentemente há muitos outros aspectos importantes na construção de um time que se impõe com técnica e inteligência, embora as condições para que futebolistas se expressem sem amarras seja crucial. É um dos méritos do campeão da América, que joga como tal, sem demonstrar distrações ou a corrosão que costuma afetar grupos que conquistaram títulos. Ao que parece, outros estão por vir.



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