Voltando a Berlim



No vestiário da seleção brasileira no Estádio Olímpico de Berlim, em 27 de março, um ambiente de jogo importante começou a se materializar diante dos olhos da comissão técnica. Os dias anteriores ao amistoso com os atuais campeões do mundo tinham se caracterizado pela lembrança do epitáfio do Mineirão, sempre com a ressalva de que não se tratava de uma revanche. Passadas as conjecturas e contextualizações que distanciavam os eventos, os momentos imediatamente anteriores ao jogo trouxeram de volta a necessidade de fazer um bom papel, mesmo que o time alemão estivesse alterado pelo técnico Joachim Low. Os jogadores iniciavam a dinâmica de aquecimento quando Casemiro deu um tapa nas nádegas de Paulinho e avisou: “Hoje é diferente, Paulo”.

Já no túnel que dá acesso ao gramado, o clima era de gentileza contida entre os dois times, mas com o componente competitivo que pertence às ocasiões em que adversários desse porte se encontram. Para a seleção brasileira, reviver a humilhação de 2014 antes de um eventual cruzamento na Rússia era uma experiência fundamental. Para o time alemão, disputar esse amistoso específico com o que se pode chamar de “time B” representava uma importante carta estratégica. Em um espaço exíguo em que é praticamente impossível um técnico não notar a presença do outro, Low passou por Tite sem cumprimentá-lo, o que, além de não incomodar o treinador brasileiro, gerou uma agradável sensação de jogo para valer (no campo, em público, Low se dirigiu a Tite antes e ao final do amistoso).

Voltar ao amistoso em Berlim é especialmente interessante à luz da forma como o encontro terminou. Uma atuação elogiável da seleção brasileira conduzia à vitória por 1 x 0 que traduzia o que havia acontecido no gramado, até que um recuo a partir dos vinte e cinco minutos do segundo tempo sugeriu a decisão deliberada de assegurar o resultado. Embora um empate com um gol sofrido no trecho final não ofuscasse a percepção do bom desempenho, vencer a Alemanha em sua própria casa teria – como teve, em termos de repercussão internacional – um significado especial no que diz respeito à imagem de recuperação da seleção desde que Tite assumiu o comando. Mas não houve uma ordem para defender mais baixo e tratar de aguentar a tempestade. O que houve foi uma substituição não feita, que provavelmente teria sucesso na tarefa de reter a bola no campo de ataque.

Boa parte da pressão alemã se dava pelo lado direito, com o avanço de Kimmich. Tite notou que Marcelo estava sobrecarregado e acionou um “plano B” de escalação para o começo do jogo, que tinha Douglas Costa como opção por causa da lesão de Neymar. A troca – Douglas Costa no lugar de Philippe Coutinho – aconteceu aos vinte e sete minutos e ajudou a diminuir a carga sobre o lateral, que, após o jogo, agradeceu ao técnico por “usar o plano B”. A espera pelo efeito da substituição talvez tenha sido o motivo pelo qual Tite deixou de colocar Roberto Firmino na vaga de Gabriel Jesus, nos últimos quinze minutos. Quando o técnico resolveu fazer a alteração, percebeu que já passava dos quarenta, e que o atacante do Liverpool não teria tempo suficiente para se aquecer. Tite considera que, ali, perdeu uma oportunidade de contribuir para um final de jogo mais controlado.

CRESCENDO

Se a partida de volta entre Atlético Paranaense e São Paulo, pela Copa do Brasil, nos ofereceria mais informações sobre o trabalho comandado por Fernando Diniz, o que descobrimos é que a confiança em um jogo coletivo está se solidificando. Mesmo com a atuação ruim no primeiro tempo. A segunda parte do encontro foi dominada pelo Atlético, que trabalhou no campo do adversário e poderia ter construído um final mais tranquilo. A classificação foi um reflexo do que se viu nos dois jogos, e não deve ser enxergada como uma vergonha para o São Paulo. Foi apenas uma derrota para um time de desempenho superior.



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