Passo adiante



Os últimos dias têm apresentado versões cada vez mais interessantes da campanha “o árbitro de vídeo vai acabar com o futebol”. Da final do Campeonato Paulista às quartas de final da Liga dos Campeões da Uefa, passando rapidamente pela rodada de abertura do Campeonato Brasileiro, os equívocos de arbitragem em ocasiões decisivas se avolumam e a imaginação de um futebol com VAR atormenta os entusiastas do “erro humano enquanto fator de interesse no jogo”. Quando poucos segundos no primeiro replay são suficientes para resolver a questão e o pobre árbitro encarna o papel do marido traído, a opção pelo atraso tecnológico se revela um momento constrangedor na história deste esporte tão encantador.

Algumas linhas de argumentação são sofríveis, como a fábula do “lance interpretativo” (sim, já foi abordada aqui, mas merece uma nova visita), aquele em que não há um consenso após os replays. Não parece óbvio que quanto maior a dúvida, maior a necessidade da revisão? Se haverá a marcação de um pênalti nos acréscimos de uma partida eliminatória, como se deu em Real Madrid x Juventus, não é um milhão de vezes melhor que essa decisão seja a mais bem informada possível? “Não convencerá a todos”, diz o comitê anti-VAR, sem notar que 1) esse não é o propósito do sistema; 2) isso não faz diferença; 3) o que importa para o futebol – e deveria importar a quem diz gostar de futebol – é a multiplicação da chance de acerto.

Há também, e é inacreditável que ainda seja o caso, uma insistente dificuldade para compreender o protocolo que foi aprovado pelos guardiões da arbitragem. No caso de pênaltis, o texto menciona que o objetivo do VAR é “garantir que decisões claramente erradas não foram tomadas na marcação ou não marcação”, o que tem sido interpretado como um medidor de tamanho de erros e levado a coisas como “esse lance não era para VAR”. Céus, se a imagem mostra o erro, o caminho é a correção. Ademais, o árbitro de campo pode querer rever o lance com seus próprios olhos, e assim avaliar a decisão que tomou. Esse é o grande benefício do sistema: oferecer ao árbitro o que só estava disponível ao espectador, em nome da mínima interferência no resultado.

A propósito, um passo adiante foi dado. Na Copa do Mundo da Rússia, o público nos estádios será informado sobre a utilização do árbitro de vídeo. As imagens serão exibidas nos telões após a revisão – para evitar maior pressão sobre a arbitragem – e com as devidas explicações.



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