ACM, 11



Adenor Carille de Menezes é o treinador há mais tempo no comando de um grande clube brasileiro. Esta é sua décima-primeira temporada, com duas curtas interrupções – motivadas por chamados para a seleção brasileira – que mostraram que os desvios no caminho eram escolhas erradas, assim como o receio para nomeá-lo no final de 2016. Desde 2008, excluindo o Campeonato Brasileiro da série B por ser um título que ninguém quer, o treinador conquistou dez troféus: quatro campeonatos estaduais, uma Copa do Brasil, três campeonatos brasileiros, uma Copa Libertadores da América, um Mundial de Clubes da Fifa e uma Recopa Sul-Americana. A campanha de 2018 já gerou uma conquista e parte para a defesa do título brasileiro não com o elenco mais qualificado ou os recursos mais generosos, mas com a ideia de futebol mais bem estabelecida e uma relação de confiança mútua com o torcedor.

Há quem olhe para o Corinthians dos últimos dez anos com certa desconfiança e identifique uma trajetória de sucesso – em campo – que se deve à sorte e aos efeitos tranquilizadores dos bons resultados. É possível que seja a leitura mais próxima da realidade, o que não invalida o ponto principal. A sequência de ideias e a manutenção de uma direção de trabalho, mesmo que não determinadas por um planejamento de longo prazo ou pelos “valores do clube”, compõem a conduta que respeita os processos do futebol e aumenta as possibilidades de bom desempenho sustentável. Se o Corinthians acertou por linhas tortas ao manter Adenor Carille de Menezes no comando do time por uma década, o que importa é o aprendizado neste período e o que ele significa para o próprio clube e seus concorrentes.

Talvez o principal ensinamento esteja justamente na forma como ACM retornou para iniciar a temporada de 2017, depois que o clube olhou para outros lados enquanto as ideias estavam ali, à disposição. Desde então, o técnico justificou a oportunidade com três títulos e um interessante hábito de elevar seu nível de participação no comportamento do time quando o momento pediu. A imagem de estabilidade que ele representa já atraiu a atenção de adversários, que podem ter cometido o engano de enxergá-lo apenas como o “vencedor da vez”, e não como um profissional habilitado por anos de experiência no mesmo lugar. Por mais ousada que seja a proposta, clubes deveriam estar interessados em também formar treinadores, por uma questão de conceitos e identificação. Entre outros benefícios, é mais econômico.

O Campeonato Brasileiro será exigente como sempre. Há adversários teoricamente mais capazes e a possibilidade de uma escapada inicial, como ocorreu no ano passado, é menor. O grande exame para o atual campeão virá se/quando os resultados o abandonarem e o modo brasileiro de fazer futebol apresentar a tentação à mudança para aliviar a pressão. Será a ocasião para o Corinthians mostrar se de fato aprendeu algo durante todos esses anos, ou se Adenor Carille de Menezes é um personagem fictício, desses que parecem bons demais para existir na vida real.

OBJETIVO

O pênalti que levou o Real Madrid às semifinais da Liga dos Campeões da Uefa gerou o raciocínio de que “há lances que nem o árbitro de vídeo resolve”, como argumento contra a utilização do sistema. Equívoco dos grandes. O objetivo do VAR não é solucionar todas as ocorrências duvidosas, mas aumentar as possibilidades de uma decisão acertada em lances decisivos para os resultados de jogos e, portanto, de campeonatos. A carta do “lance interpretativo” tampouco faz sentido, por óbvio: se a jogada é mesmo interpretativa, não é vantajoso para o futebol que um segundo árbitro possa analisá-la, ou que seja revista pelo árbitro de campo, para diminuir o risco de erro? A propósito: foi pênalti, o árbitro acertou instantaneamente. Imprudência e contato faltoso de Benatia em Lucas Vázquez.



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