Mais uma vez



1 – O hino mal tinha terminado quando Matheus Vital construiu um gol pelo lado esquerdo. Tremenda jogada pessoal para vencer Antônio Carlos e acionar Rodriguinho na área. O desvio em Victor Luis encaminhou a bola para a rede e, assim, a decisão estava empatada com uma partida inteira por jogar.

2 – Marcos Rocha convidou Vital a procurar o fundo.

3 – O choque inicial de um gol tão precoce atrapalhou os planos do Palmeiras, situação agravada pela movimentação dos jogadores corintianos mais avançados, principalmente pelo setor de Marcos Rocha e Antônio Carlos. A ideia do Corinthians era a mesma do jogo de ida, porém bem aplicada.

4 – Aos poucos, o volume do Palmeiras cresceu e a tomada de iniciativa, ainda que sem a melhor organização, ficou clara. O passo atrás do Corinthians desequilibrou os níveis de posse e posicionou o visitante para o contragolpe. Não seria diferente se não houvesse o gol, a questão era o impacto da desvantagem no comportamento do time de Roger.

5 – Com meia hora de clássico, Dudu era o jogador mais insinuante de um Palmeiras que insistia em atacar pelo lado direito. Havia domínio, mas não ocasiões claras, cenário previsto pelo time que se defende, embora o torcedor sofra.

6 – A primeira metade se encerrou com a impressão de que o Corinthians tinha recuado exageradamente. Considerando a capacidade de circulação e finalização do Palmeiras, a estratégia parecia arriscada demais para todo o segundo tempo. O recuo para liberar espaço só tem sentido se o espaço é utilizado.

7 – A ordem de Carille no intervalo – de acordo com o que o próprio técnico declarou – foi para que seu time tivesse a bola por mais tempo. O Palmeiras não concordou. Os índices de posse ficaram ainda mais favoráveis aos jogadores de verde no retorno, enfatizando a dinâmica da decisão. O nível de ameaça ao gol de Jailson era inexistente, o que permitia que o Palmeiras só tivesse um incômodo: o placar.

8 – Equívoco do árbitro Marcelo Aparecido de Souza ao marcar falta de Ralf em Dudu, na área do Corinthians. A imagem – que no futebol brasileiro é usada apenas para condenar arbitragens, não para auxiliá-la – mostrou toque na bola, portanto escanteio, e não pênalti. A reclamação dos jogadores corintianos, e depois dos palmeirenses, somada às conferências entre árbitros e assistentes, consumiu oito minutos até que a marcação fosse modificada.

9 – É o intervalo patrocinado pela campanha “o VAR vai acabar com o futebol”.

10 – O jogo caiu demais depois do episódio do pênalti-escanteio, provavelmente pelo desgaste físico dos dois times. A pressão do Palmeiras era mais uma tentativa, exceto pela jogada de Keno pela direita e o cruzamento que Thiago Santos não conseguiu cabecear para o gol. O Corinthians seguiu se defendendo, à espera de uma ocasião de bola parada e/ou dos pênaltis.

11 – Com Sidcley, surgiu a única chance em contragolpe, já nos minutos finais. O lateral foi ao fundo, cortou para dentro e finalizou de pé direito. Ver a bola passar ao lado da trave e sair pela linha de fundo devolveu o ar ao estádio palmeirense.

12 – Na crueldade dos pênaltis, Cássio dobrou de tamanho contra Dudu e Lucas Lima e colocou o troféu no pé direito de Fagner, que falhou no que seria a cobrança decisiva. Mas Maycon não deixou o vigésimo-nono título paulista do Corinthians escapar.

GATITO NÃO FALHA

Incrível a decisão no Rio de Janeiro. O Vasco, que já se habituava a comemorar assim, se viu do lado triste de um gol marcado nos instantes finais, e Gatito Fernández fez o que se esperava dele na disputa de pênaltis. Diz-se, com razão, que a posição do goleiro é a menos pressionada nesse tipo de situação, pois a “obrigação – embora esse termo não se aplique ao futebol – é de quem bate. Gatito altera esse quadro, e coloca peso nas próprias costas, pela frequência com que defende cobranças. O Botafogo e os botafoguenses contam com ele, e não se decepcionam.



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