Transferência



1 – O principal contraste do clássico era a condição de cada técnico de determinar o desempenho de seu time. Carille, cujo trabalho já pode ser qualificado como de médio prazo nos padrões nacionais, não tem problemas com mudanças autorais ou por lesões, como se deu com Rodriguinho no aquecimento. Aguirre, recém-chegado, opera com projeções do que crê ser o melhor, como o acréscimo do poder de marcação para enfrentar o rival.

2 – No que se apresentava pelas escalações como um teste de força no meio de campo, o ímpeto inicial do São Paulo era esperado. Ser pressionado, porém, não é algo que incomode o Corinthians, especialmente com uma formação menos criativa e disposta a controlar o jogo por intermédio da diminuição dos espaços.

3 – Dois momentos são-paulinos na metade do primeiro tempo: Mantuan travou o chute de Nenê, na área, após desvio de Tréllez pelo alto. Arboleda cabeceou para fora um cruzamento de Nenê, em vantagem na disputa aérea com Sidcley. O mandante no Morumbi era mais quente e mais presente no campo ofensivo.

4 – Após trinta e cinco minutos, a dinâmica estava bem clara: o São Paulo pressionava sem tanto perigo, mas ao menos mantinha a bola distante do gol de Sidão. O Corinthians suportava sem aparente preocupação, mas falhava ao tentar sair de seu campo.

5 – Nos acréscimos, São Paulo 1 x 0. Nenê, no rebote de Cássio, após Tréllez se aproveitar de uma falha de Mantuan na intermediária de ataque e arrancar em lance individual. O gol, merecido pela diferença de iniciativa entre as equipes, foi o terceiro seguido que o Corinthians sofreu após defesas parciais de seu goleiro.

6 – Encontrar uma versão ofensiva sem Fágner, Jadson, Rodriguinho e Romero era o dilema de Carille para o segundo tempo. Explorar o momento de fragilidade do oponente para construir uma vantagem determinante no confronto, a oportunidade do São Paulo. A questão era como os times se comportariam antes daquele estágio em que o resultado se torna “aceitável” para ambos.

7 – Aguirre preferiu o expediente que geraria menos riscos: provocar o adversário a se adiantar em busca do empate, como isca para ter gramado para jogar em velocidade. Em meia hora, o que se viu foi um Corinthians mais próximo da área oposta, mas sem ocasiões. E um São Paulo sem contragolpe.

8 – Alterações de nomes, mas não de estruturas, mantiveram a impressão de que o placar só seria modificado em um lance casual. O Corinthians carecia de força ofensiva para uma blitz no final, e o São Paulo, de interesse em se expor e arriscar o resultado. De certa maneira, ambos transferiram a decisão para o segundo jogo, uma escolha que pode ser defendida por longa argumentação, mas que prejudicou um encontro que poderia oferecer mais.

9 – Do lado são-paulino, é preciso considerar o significado de vencer o primeiro clássico da temporada para um trabalho que se inicia. Não é garantia de classificação à final do campeonato estadual, mas alimenta as possibilidades e a confiança.

10 – Do corintiano, a atuação pobre pode ser explicada, em parte, pela ausência dos titulares. O que comprometerá a qualidade do sono de Carille é ter sofrido mais um gol em que predominaram defeitos defensivos.

É OBRIGATÓRIO RESPEITAR

Um aplauso e todo apoio à campanha #DeixaElaTrabalhar, em nome do respeito às jornalistas que atuam na cobertura futebolística. A ignorância, o assédio e a violência são frequentes num ambiente em que trogloditas se recusam a observar as mais básicas normas de convivência, beneficiados pelo anonimato das redes sociais ou pela certeza de impunidade no mundo real. Trata-se de uma realidade ainda mais vil para mulheres, por causa do preconceito e da covardia. É estarrecedor que ainda seja necessário lembrar que o futebol não é um meio em que tudo é permitido, em que a suposta paixão por um clube pode ser utilizada para relativizar abusos.



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