Treino é tudo



Não vencer a Rússia com ao menos alguns períodos de bom futebol geraria certos inconvenientes a Tite. Um deles seria ter de lidar com críticas à convocação, ou não, de um ou dois jogadores. Outro seria debater com o tipo de “análise” que pretende ditar com quais temas táticos o técnico da seleção brasileira deveria se preocupar a menos de três meses da Copa. Um segundo tempo interessante e o resultado de 3 x 0 devem deixar essas questões dormentes até a próxima terça-feira, quando o amistoso com a Alemanha propiciará uma conversa mais bem informada sobre o que realmente importa. Em Moscou, a Rússia fez o papel que dela se esperava e o mesmo pode ser dito sobre o Brasil. Melhor seria que Neymar estivesse presente em jogos com essas características, para que a observação fosse mais próxima da realidade.

A seleção russa não é um time de futebol capaz de vencer esse encontro, exceção feita a uma ocasião em que seja presenteada pela soma de todos os defeitos do adversário e uma generosa dose de sorte. A maneira indicada para tentar precipitar esse tipo de evento é se defender com todos os jogadores, obedientemente preocupados com ocupação de espaços no próprio campo. É assim que um time inferior minimiza riscos, frustra o oponente e cria as condições para capitalizar uma falha defensiva, num cenário em que quase toda a responsabilidade por fazer as coisas acontecerem recai sobre o conjunto mais talentoso. O curioso é que, enquanto nada acontece, a leitura do jogo sofre um fenômeno intrigante: o zero a zero se converte em demérito da equipe que deveria estar vencendo.

Mais curioso ainda é o que se dá após o gol: descobre-se, de repente, a fragilidade do time que vai perder e se passa a criticar como ele oferece pouco a partir do momento em que se vê obrigado a jogar. No caso em questão, a posição um pouco mais adiantada de Philippe Coutinho muito provavelmente resolveria o problema de falta de profundidade pelo meio, principal carência do jogo da seleção brasileira na primeira metade. Ocorre que o gol de Miranda foi origem de uma jogada aérea com rebote do goleiro, e não de um movimento gerado pela alteração de posicionamento feita no intervalo. O amistoso se abriu por causa do gol, não pela maneira mais inteligente de jogar que se desenvolvia. Mesmo se várias chances tivessem sido criadas por intermédio de circulação pelo centro, porém não aproveitadas, ainda haveria quem preferisse salientar as dificuldades da seleção. Como sempre, a questão principal é a quem se dá ouvidos.

O segundo e o terceiro gols foram produtos da capacidade do time brasileiro e da incapacidade dos russos de atender a todos os pré-requisitos para seguir competindo em desvantagem. O futebol costuma ser cruel com as esperanças daqueles que possuem pouco além delas. Ainda que seja um equívoco colocar fermento no resultado e na atuação (63% de posse, 24 finalizações, 13 no alvo, 3 gols), a noite em Moscou teve inegável valor em treinamento para um time que deveria jogar muito mais vezes antes da estreia no Mundial. A Rússia é apenas a Rússia? Sim, apenas. Mas enquanto o zero a zero persistia, a “proposta defensiva” recebia elogios silenciosos pela “eficiência” ao conter o Brasil, e seria muito aplaudida se alcançasse o feito de um empate na sede da abertura e da final da Copa.

EXIBIÇÃO TÉCNICA

Alemanha e Espanha fizeram um ótimo jogo em Dusseldorf. A impressão é que estão meio degrau, talvez, acima da seleção brasileira em nível de jogo, o que diz muito especialmente a respeito do momento espanhol. O trabalho de Julen Lopetegui tem idade semelhante ao de Tite. Contra os atuais campeões do mundo, a Espanha comandou boa parte do jogo, com alto padrão coletivo e absolutamente nenhum incômodo ao ser pressionada. Foi uma exibição de futebol técnico das duas seleções e um empate justo com dois belos gols.



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