O novo



“Em 2010, a Alemanha estava aprendendo o que acontecia em Barcelona. Low [Joachim, técnico da seleção alemã] e outros treinadores influentes entenderam que o futebol do Barça era o futebol do futuro. O único que pode produzir êxitos. Não faço ideia do que virá, mas estamos há dez ou doze anos na mesma linha: todos que quiserem ganhar algo importante devem jogar o futebol que o Barça e a seleção espanhola praticam. A isso se pode acrescentar a mentalidade alemã, a inglesa ou a francesa. Mas a única fórmula de êxito verdadeiro é essa. Há dez anos, agora e na próxima década”.

As opiniões de Paul Breitner ao diário espanhol El País caberiam confortavelmente na boca de um torcedor catalão ou de um espanhol de qualquer outra região do país. Ao serem formuladas pelo cérebro futebolístico de um ex-jogador alemão consagrado, ganham importância e contribuem para o entendimento dos caminhos do futebol. E comprovam – como se ainda fosse necessário – que o processo de reconstrução da seleção alemã passou, oito anos atrás, por um estágio com o time identificado pelos atuais campeões mundiais como o modelo a ser seguido. A derrota por 1 x 0 para a Espanha tirou os alemães da final da Copa da África do Sul, mas os encaminhou à decisão no Rio de Janeiro, quatro anos mais tarde.

Não é necessária uma extensa pesquisa para encontrar a influência do Barcelona dirigido por Pep Guardiola no jeito de jogar da Espanha de 2010. Basta revisar a escalação. Naquela noite em Durban eram seis titulares do clube na equipe treinada por Vicente Del Bosque, entre eles os dois arquitetos do gol decisivo, marcado por Puyol após escanteio cobrado por Xavi. Mais tarde, o meia explicaria que a bola levantada nas proximidades da marca do pênalti era uma jogada transplantada do Barcelona para a seleção. Certamente uma lembrança amarga na memória do futebol alemão, o gol é apenas uma ocorrência dentro do aprendizado de conceitos de jogo que aquela época significou para os compatriotas de Breitner.

E quando o campeão da Copa de 1974 e vice em 1982 – com gols marcados em ambas as decisões – menciona o acréscimo de mentalidade própria a esse jeito de jogar, fica evidente que não se trata de imitar, mas evoluir. Ser o autor do próximo passo em busca do aperfeiçoamento do que é vanguarda, porque o futebol jamais estará pronto. Outro trecho da conversa de Breitner com o El País se refere ao futebol brasileiro: “[…] a ideia de criar um novo estilo: o Barça de Guardiola era o Brasil com mais força, com mais movimento, mais velocidade e, sobretudo, com mais condição física”.



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