Ressonância



Os amistosos da seleção brasileira submeterão o time a duas situações distintas, porém significativas, neste momento estranho em que a Copa do Mundo está próxima, mas nem tanto. O encontro com a anfitriã do Mundial, em Moscou, carrega um ar de aclimatação ao que virá. Não é tão exigente em termos futebolísticos, embora a Rússia provavelmente utilize uma maneira de se defender que muitos adversários do Brasil escolherão. Visitar o estádio em que acontecerá a coroação da próxima seleção campeã do mundo tem um caráter simbólico que talvez possa ser utilizado na trajetória do time, no sentido de estabelecer um ponto reconhecível a todos, um reforço de confiança. Já a partida contra a Alemanha é uma conversa inteiramente diferente: mesmo na hipótese – inviável, claro – de desconectar o amistoso do epitáfio do Mineirão, enfrentar os atuais donos do troféu é uma avaliação que garantirá muitas respostas sobre o nível de jogo do time de Tite.

A ausência de Neymar é um grande inconveniente, por motivos óbvios. Num estágio tão especial da formação da equipe, seria fundamental ter à mão todos os jogadores com os quais se pretende trabalhar. Só assim as respostas mencionadas acima seriam suficientemente firmes para o caminho a seguir. Não ter o camisa 10 impõe a procura de alternativas que serão úteis caso ele não esteja disponível durante o Mundial, mas esse é um cenário com o qual Tite preferia não ter de lidar agora. Especialmente contra os alemães, o Brasil completo ofereceria a maior quantidade de informações a serem retiradas do teste, principal valor desse tipo de ocasião para qualquer time, mais ainda para um que não teve muitas oportunidades de se medir diante dos melhores. Nada disso tem a ver com maiores ou menores possibilidades de vitória, mas com um exame mais detalhado sobre o funcionamento da seleção.

A Alemanha não só é a campeã do mundo, mas um exemplo invejável de trabalho de longo prazo no futebol, com construção de elenco, equipe, desenvolvimento, aperfeiçoamento e variação de ideia de jogo. É um time que sabe perfeitamente o que pretende fazer, como e com quem. Não existe garantia de sucesso neste jogo, mas considerando os conceitos de trabalho no futebol de seleções, o período de mais de uma década de comando de Joachim Low exibe todas características do que é correto. Enfrentar um time assim é como conversar com um especialista em qualquer área: chance de aprendizado, para quem sabe ouvir. A diferença evidente é que, em uma conversa, não se tem o objetivo de superar o interlocutor, enquanto o jogo de futebol pressupõe competição, enfrentamento, embate de ideias e ações. Excluindo as partidas iniciais, quando a posição precária nas Eliminatórias exigia resultados, Brasil x Alemanha é o jogo mais importante do trabalho de Tite até esta altura.

O placar final será supervalorizado externamente, em especial no caso de haver um vencedor. Mas o que importa de fato é a dinâmica, as dificuldades que o Brasil conseguirá apresentar aos alemães, a forma como tentará responder às que lhe forem apresentadas. Os ecos do 1 x 7 farão seu papel, é inevitável. Mas, tomara, não se tornem mais influentes do que aquilo que é crucial extrair do amistoso: uma descrição mais clara do que a seleção brasileira é, do que pode ser, e do que fazer para sê-lo.

RISCO

Horrível, para dizer o mínimo, a imagem da fratura sofrida por João Paulo, no clássico Botafogo x Vasco. Sim, o futebol é rápido e jogadores chegam atrasados em lances bruscos com frequência, mas a entrada de sola aumenta o risco de lesão grave, principalmente quando bloqueia o movimento do chute.

FALHAS

A aberração do jogo com mando vendido se transformou em vitória do Bragantino, no Pacaembu. Para o Corinthians, mais preocupante do que perder é sofrer dois gols em rebotes de defesas de Cássio, falhas defensivas que incomodam mais.



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