Fãs



Antonio Conte foi o último treinador a entrar na fila para cumprimentar Lionel Messi após uma derrota, e declarar o gênio argentino “a diferença” entre a classificação do Barcelona e a do Chelsea na Liga dos Campeões. Antes do italiano, Diego Simeone tinha sido um pouco mais eloquente – e, em certo aspecto, exagerado – ao dizer que, se Messi vestisse a camisa do Atlético de Madrid, o vencedor do recente encontro pelo Campeonato Espanhol teria sido o time dele. É preciso considerar que esse tipo de posicionamento de um técnico sempre funciona como autodefesa, uma vez que ser derrotado “por Messi” não é demérito para ninguém, ainda que o futebol não funcione exatamente assim. O que chama a atenção, além da forma atual de Lionel, é a maneira como ele tem sido apresentado como uma espécie de manifestação inevitável do destino.

Na jogada do segundo gol contra o time inglês, no Camp Nou, Messi roubou a bola no meio de campo e deu início a uma dessas arrancadas que marcaram sua carreira. Lances em que defensores adversários fazem o papel das portas que determinam o percurso no slalom gigante; estão ali apenas como pontos de referência. Após a primeira finta, em Christensen, a defesa do Chelsea se pôs em modo de emergência, instante em que a organização dá lugar ao desespero. Quando Azpilicueta levou um drible da vaca, quatro jogadores adversários estavam exclusivamente na órbita de Messi, enquanto Suárez entrava pelo centro da área e Dembélé, pelo outro lado. O passe criou um gol que o jovem francês guardará com sentimentos especiais, especialmente ao lembrar que, na comemoração, Messi parecia mais feliz do que ele.

Hoje, o que é mais interessante a respeito de Messi é não saber precisamente o que ele é e esperar para descobrir a cada jogo. O melhor Lionel que já se viu, o que atuava como falso atacante no Barcelona de Guardiola, era um agente secreto chamado à ação no momento de eliminar oponentes. Também era o super-herói capaz de solucionar sozinho os dramas mais complexos, mas esses episódios foram raros. O atual se mostra mais envolvido em outras regiões do campo e outros aspectos do jogo, confundido até quem o conhece. Em um time que alterou seu comportamento desde a saída de Neymar, Messi é quem melhor faz de tudo, comprovando que é o melhor em tudo. É provável que este seja o Barcelona que mais se inclina sobre as capacidades de seu maior astro, capaz de desequilibrar encontros de maneiras diversas, mas decisivo como sempre.

A influência de Messi no confronto com o Chelsea – três gols em um placar agregado de 4 x 1 para o Barcelona – foi tamanha que parece estar no passado longínquo o tempo em que se lembrava que ele nunca tinha feito um gol nesse adversário. E não apenas por ter vencido Courtois no crucial empate em Londres, no terceiro minuto do jogo de volta e, por fim, pouco após a marca de uma hora, encerrando definitivamente a competição por um lugar nas quartas de final. Mas por ser a figura que distanciou uma equipe da outra, com a presença hierárquica que o caracteriza e converte treinadores oponentes em fãs.

FORÇA

Perder a chance de jogar uma Copa do Mundo por causa de uma lesão não deveria acontecer a ninguém. Menos ainda a jogadores e pessoas como Filipe Luís (e não seria a primeira vez).

INOVANDO

José Mourinho está se transformando em um tipo único: o técnico capaz de humilhar o próprio clube para defender seu trabalho. Ainda que, para isso, seja necessário apresentar uma versão distorcida da realidade. Não parece um bom caminho, mesmo na era que redefine as noções de constrangimento.

SEM RETORNO

Marco Polo Del Nero segue suspenso pela Fifa. As aparências indicam que os advogados de José Maria Marin conseguiram condenar dois presidentes da confederação com apenas uma atuação em Nova York, um feito. Tudo indica que, num plano abstrato, Del Nero finalmente viajou.



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