O que é o PSG?



A eliminação da Liga dos Campeões da Uefa deve ter ensinado um pouco mais sobre o funcionamento do futebol às pessoas que tomam decisões no Paris Saint-Germain. À distância, além das observações mais simples a respeito do comportamento do time em dois jogos contra o Real Madrid, o que salta aos olhos é a mais absoluta falta de representatividade de uma equipe que não parece saber o que é. É ousado falar em um projeto de conquista global, investir valores astronômicos e se apresentar como “o próximo gigante”. O problema está na transferência dessa ideia para o campo de jogo.

O que é o PSG, hoje, além de um time que tem dinheiro? Não há nada de errado em uma estratégia agressiva disposta a acelerar o amadurecimento de uma instituição jovem, que ainda não alcançou meio século de vida. Mas esse não é um plano que se torna viável apenas com um orçamento bem mais do que generoso e um caprichado redesenho de imagem. É obrigatório respeitar os caprichos do jogo e entender que há etapas que não podem ser saltadas para alcançar o sucesso esportivo. Se há uma lição para todos é a de que um time bem sucedido não se faz só com euros e estrelas.

A ausência de uma identidade reconhecível é um dos dilemas. O que pretende o jogo do PSG? O que seus jogadores representam? Não é necessário estar na Liga dos Campeões ou mesmo no futebol europeu para que uma equipe demonstre o senso coletivo essencial a este esporte. Algo que se constrói com coesão e formação de grupo, que se nota quando uma equipe está em campo. Há quem chame de alma, o que pode ser difícil de descrever. Mais simples, talvez, seja identificar se aqueles jogadores se sentem defendendo algo. A camisa, a história, os ideais, um estilo, ou tão somente o próprio trabalho. No caso do PSG, nem isso é perceptível.

A contratação e a lesão de Neymar são aspectos relevantes, mas não explicam tudo. A sensação de um coletivo fragmentado é reforçada pela falta de respaldo institucional, da noção de que existe algo maior e mais importante do que a reunião de futebolistas formidáveis. Às vésperas do jogo de volta, quando deveria se concentrar em suas capacidades, o clube parisiense recorreu ao incentivo de torcedores organizados e à pressão sobre a arbitragem. Na hora do desempenho, não foi convincente nem mesmo antes do gol – mais um – de Cristiano Ronaldo.

Pior ficará se a estratégia seguir baseada nos mesmos conceitos que levaram à recente frustração, mas com a mera substituição de pessoas. Uma ideia que o futebol também não respeita.



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