Persistente



1 – No futebol de hoje, há ocasiões em que o conceito de mandante e visitante está mais relacionado ao nível de recursos dos times em campo do que propriamente ao local do jogo. Existem equipes que optam por se comportar, mesmo em casa, como se estivessem fora. O clássico deste domingo no Pacaembu sugeria a pergunta sobre a postura do Santos, mandante contra o Corinthians.

2 – O atual e maior campeão estadual em São Paulo já foi o visitante no Pacaembu diversas vezes, mas nunca – exceto por um jogo com portões fechados na Libertadores, em 2013 – tinha lidado com a ausência de seu torcedor no mais paulistano dos estádios. “É como um clássico fora de casa”, disse Fabio Carille no pré-jogo, sem revelar que orientou seu time a marcar próximo à área santista e tomar a iniciativa pela posse nos movimentos iniciais.

3 – O gol de Renê Júnior foi produto de um chute que não causaria problemas para um goleiro como Vanderlei, se não fosse o desvio em Léo Cittadini. Premiou, porém, a maior ofensividade do Corinthians nos primeiros vinte minutos. Mais desenvoltura e ideias claras para alcançar a área rival resultaram em algo inédito: um gol corintiano recebido com silêncio no Pacaembu.

4 – Em desvantagem, o Santos deu um passo à frente e aceitou o risco de oferecer comodidade a Jadson e Rodriguinho, novamente jogando adiantados e por dentro. O contragolpe também passou a ser uma opção simpática ao Corinthians, com espaço para as corridas de Clayson e Romero. A primeira parte terminou com o Santos mais presente no ataque e levando perigo pelo alto.

5 – No clássico contra o São Paulo, embora inferior na metade inicial, o Santos foi eficiente ao aguardar pela oportunidade do gol que se tornou decisivo. Neste domingo, a situação era mais complicada: fazer acontecer ao menos o empate, administrando os perigos da exposição a um adversário que se orgulha de sua organização defensiva.

6 – E o recomeço foi claramente favorável ao time dirigido por Jair Ventura, ainda que com certa insistência pelas jogadas aéreas, talvez pela quantidade de ocasiões que o Corinthians tem cedido neste início de temporada. O Santos soube pressionar e limitar o contra-ataque, mantendo posse e diminuindo espaços após a perda.

7 – Falta de energia em três torres de iluminação do Pacaembu interrompeu o clássico aos vinte e um minutos, trecho do encontro em que o Santos era superior.

8 – Cinquenta minutos de paralisação. Um lastimável dano ao jogo, e, mais grave: um risco para os futebolistas.

9 – O Santos prosseguiu com mais intensidade, mas sempre usando bolas erguidas na área, como se fosse um treinamento. A principal chance aconteceu do outro lado, quando Jadson iludiu dois marcadores dentro da área e finalizou com um leve toque. Daniel Guedes evitou o segundo gol.

10 – Grande defesa de Vanderlei, caindo para o lado direito para espalmar um chute de Rodriguinho, após cobrança de escanteio. Quando o clássico se aproximou dos minutos finais, o Corinthians era o time mais perigoso e aparentemente mais à vontade.

11 – Até que, no rebote de outra jogada aérea, Diogo Vitor mandou um chute forte para o gol de Cássio. A persistência santista encontrou seu prêmio no final, combinada com uma falha defensiva do Corinthians.

12 – O resultado do clássico poderia ser outro, caso uma falta em Léo Cittadini, dentro da área, não tivesse sido marcada como fora. Talvez tenha sido uma homenagem ao árbitro de vídeo, aprovado neste fim de semana pela Fifa e ignorado pelo futebol brasileiro.

DOMÍNIO ABSOLUTO

O futebol do Manchester City segue conquistando o campeonato inglês a cada rodada. Não apenas vencendo, mas superando adversários com contornos inédito naquele país. Na vitória sobre o Chelsea, ontem, o atual campeão nacional simplesmente desistiu de competir quando ainda faltavam cerca de quinze minutos por jogar. O City ganha, também, por submissão.



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