Realidade



Neste sábado, espera-se que a Fifa determine, definitivamente, a evolução do futebol por intermédio da inclusão do árbitro de vídeo como parte das regras do jogo. Claro que ainda haverá quem reclame, até mesmo recorrendo a aspectos dogmáticos que remetem à teoria do geocentrismo ou se esforçando para ignorar as informações do relatório divulgado em janeiro pelo International Board, que comprovam que o tempo de paralisação do jogo é mínimo e o índice de acerto das decisões de arbitragem se aproxima dos 99%. Como se sabe, há quem opte por viver sem energia elétrica ou se recuse a passar por cirurgias, escolhas que não impediram a humanidade de seguir seu caminho. O mesmo se passa com o jogo de futebol. A seguir, cinco sugestões para aprimorar o VAR:

– Uniformizar e simplificar o protocolo. Até agora, os testes do sistema de árbitro assistente de vídeo não fizeram um bom trabalho no sentido de esclarecer (aos atores do espetáculo e, principalmente, ao público) quando e como o recurso deve ser utilizado. Qualquer pessoa pode ir à página da Fifa na internet e se informar, mas isso obviamente depende de interesse. É comum ver técnicos e jogadores reclamando de decisões “prejudiciais” orientadas pelo vídeo, mencionando outras situações que não foram submetidas ao sistema. Enquanto o protocolo não for claro para quem joga, será ainda menos claro para quem torce.

– Investir no entrosamento entre o árbitro de vídeo e o árbitro do campo. Críticos da tecnologia como auxiliar da arbitragem de futebol costumam esquecer que existem pessoas operando o equipamento. Culpar o aparato por uma decisão errada, ou por uma interrupção mais longa, é a versão futebolística da retirada do sofá em casas onde há adultério. A dinâmica de trabalho entre todos os envolvidos é fundamental para que o VAR, de fato, alcance o objetivo de “máxima eficiência com mínima interferência”, motivo pelo qual as equipes devem ser treinadas. Há casos em que a comunicação correta, via rádio, pode evitar uma paralisação do jogo.

– Usar o telão. É contraditório que um mecanismo que se destina a aumentar a chance de um resultado justo não seja transparente com o público presente. Quando o VAR é utilizado, quem está no estádio evidentemente percebe o que está havendo, mas só é informado do final do processo. Por que não disponibilizar, no telão, as imagens que estão sob análise? Não há motivo para temer um possível erro de julgamento quando a decisão é tomada diante de todos, em boa fé. E não há explicação para que o torcedor que vê o jogo in loco seja excluído de situações que interferem no andamento da partida.

– Comunicar o avanço do jogo. É preciso entender que a arbitragem de futebol finalmente evoluiu e o VAR veio para ficar. Que as experimentações têm sido feitas para aperfeiçoar o sistema, não para decidir por sua utilização. O VAR não é uma possibilidade, mas uma realidade. Em alguns anos, a própria evolução da tecnologia contribuirá para que o sistema se encaixe no fluxo do jogo de forma cada vez menos disruptiva, como se dá com a adoção de novas regras. A Fifa e as demais entidades devem se esforçar para que o árbitro de vídeo deixe de ser visto como um intruso ou um paciente em observação.

– Aceitar os erros. Não há sistema infalível, especialmente quando administrado por pessoas. Jogos de futebol mediados com ajuda do VAR continuarão a sofrer com erros de arbitragem, mesmo quando o sistema for acionado. “Argumentos” como “há lances que nem o VAR conseguirá resolver” não deveriam ser formulados, muito menos usados como crítica. O essencial é que se compreenda como as decisões foram tomadas, motivo pelo qual os operadores do VAR precisam ser acessíveis e estimulados a dar entrevistas esclarecedoras. A última coisa que o árbitro de vídeo deve desejar é ser percebido como um agente de manipulação, imagem contrária à sua própria existência.



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