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Quem pôde ver Chelsea x Barcelona com atenção deve ter se lembrado do encontro entre Itália e Espanha na Euro 2016 (e não pela coincidência de ambos os jogos terem sido apitados pelo turco Cuneyt Çakir, ainda que ele provavelmente tenha tido o mesmo pensamento). Assim como aconteceu anteontem em Stamford Bridge, Antonio Conte conseguiu causar um curto-circuito no jogo do adversário, fazendo a seleção espanhola, então bicampeã continental, se sentir deslocada em um campo de futebol.

Além de Çakir e Conte, oito jogadores envolvidos na partida em Londres estavam no gramado do Stade de France, em 27 de junho de 2016. Todos são espanhóis: Piqué, Busquets, Iniesta e Alba pelo Barcelona; Morata, Fàbregas, Azpilicueta e Pedro pelo Chelsea. O quarteto do time catalão, especialmente Alba e Busquets, experimentou pela segunda vez a sensação de ser vítima de um plano tático desenhado por Conte e aplicado – quase – à perfeição. Não fosse um passe errado que se ofereceu a Iniesta diante da área do Chelsea, origem do gol de empate, o técnico italiano estaria tão exultante quanto na noite em que a Itália venceu por 2 x 0 e seguiu para as quartas de final.

São muitas ocorrências em comum, mas os dois jogos não se diferenciam apenas pelos resultados. A Itália teve 41% de posse de bola e mais finalizações certas (7 x 5) do que a Espanha. Na terça-feira, com a bola por 32% do tempo em seu próprio estádio, o Chelsea gerou mais ocasiões do que o Barcelona: empate em 2 x 2 em conclusões no alvo, mas Willian enviou dois chutes às traves. Enquanto o Chelsea – após uma pressão inicial no campo do oponente – assumiu uma posição recuada para se defender, a Itália exibiu maior interesse em discutir a posse, dado que sugere uma interessante questão a respeito das possibilidades técnicas do time inglês para ser mais ativo nesse tipo de encontro.

Não se discute, porém, que o 1 x 1 foi melhor do que a atuação do Barcelona sugeriu, embora se deva salientar que planejamentos como o de Conte estão sempre sob risco de desmoronar por uma falha na região do campo em que elas são mais graves, justamente porque a maior porção do jogo se desenrola ali. Iniesta e Messi não aguardaram por outra chance de posicionar o confronto a favor do Barcelona, que não precisará construir um resultado no Camp Nou, em 14 de março. Veremos se a vitória sobre a Espanha, talvez o maior momento de Conte por sua seleção, será novamente lembrada.



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