Formação



1 – Quatro vitórias consecutivas deram ao São Paulo a segurança necessária para abordar o clássico como uma oportunidade para se estabelecer. Ficou clara a iniciativa “de mandante” contra o Santos, com mais jogo e mais ofensividade no Morumbi.

2 – Além da ótica resultadista, mesmo no segundo mês da temporada, criou-se um critério para avaliar o time dirigido por Dorival Júnior em 2018: a viabilidade de Jucilei, Nenê, Diego Souza e Cueva atuarem juntos. Equipes que funcionam são feitas por jogadores que se complementam, algo que não é possível verificar em fevereiro.

3 – Com vinte minutos, ficou evidente que o jogo do São Paulo era o da construção, enquanto o do Santos era o da surpresa. Ambos cumpriam bem seus papeis. Circulação interessante do time de Dorival no campo de ataque, com Cueva como desequilíbrio. Postura recuada do time de Jair, começando pela ocupação de espaço dos três atacantes.

4 – Vanderlei mostrou velocidade de reação para travar o chute de Cueva, logo depois de evitar um toque por cobertura de Diego Souza. Foi a principal ameaça ao zero a zero em um primeiro tempo controlado pelo São Paulo, mas no qual faltou capricho na execução das ideias dos dois times.

5 – O Santos encontrou o que procurava no início da segunda parte, na primeira jogada pelo lado em que houve tranquilidade para fazer o passe consciente. Bom movimento de Gabriel, recuando para receber de Eduardo Sasha e acertar um chute cruzado e rasante.

6 – Pode-se fazer diversas críticas ao atacante santista, recém-chegado de uma aventura frustrada na Europa. Mas Gabriel sempre foi um finalizador talentoso, o tipo de jogador que não pode ter a liberdade concedida pela defesa são-paulina.

7 – O clássico entrou na fase das substituições, sem que a dinâmica fosse alterada. O que se notou foi uma providência de Jair Ventura para ter apenas dois jogadores avançados, fechando seu time ainda mais. Quando isso aconteceu, Cueva já tinha deixado o campo e o São Paulo ficou previsível diante da defesa posicionada.

8 – Na parte final, a queda física dos dois times levou a uma disputa tecnicamente fraca, facilitando a tarefa de quem estava em vantagem. A manutenção do resultado dependia da capacidade de suportar uma pressão desorganizada, o que o Santos conseguiu fazer sem sofrimento.

9 – Além de mais um gol de Gabriel (ele já fez mais neste retorno do que no período em que jogou na Europa), o que chamou a atenção na atuação do Santos foi a sintonia coletiva na aplicação de um plano. A ideia era conter o São Paulo sem deixar de ameaçar, expediente que não tem chance de sucesso sem a adesão de todos.

10 – É natural que equipes que escolhem a iniciativa tenham defeitos enquanto se formam, e que esses defeitos fiquem expostos em resultados ruins. O São Paulo não soube converter seu volume em gols, nem mesmo em um número de ocasiões satisfatório, e se abateu quando ficou em desvantagem. O maior problema é a formação ser prejudicada pelos resultados, um fenômeno frequente no futebol brasileiro.

ATRASADO

Por coincidência, Botafogo e Flamengo chegaram a um acordo para o uso do Estádio Nilton Santos no dia seguinte a uma entrevista primitiva de Carlos Augusto Montenegro. É salutar que a mentalidade retrógrada do ex-dirigente botafoguense, favorável ao rompimento entre os clubes por causa do episódio do “chororô”, esteja afastada do dia a dia e seja apenas uma influência do atraso na tomada de decisões. Para a sorte do futebol do Rio de Janeiro, executivos dos dois lados foram capazes de solucionar o problema.

AGORA…

Proliferam elogios – merecidos – a Zé Ricardo, que conduz o Vasco com as ideias de quem sabe o que quer e acredita no valor do trabalho. É uma pena que tais elogios não foram ouvidos ou lidos quando a pressão externa sobre sua posição no Flamengo se tornou insuportável e a diretoria sucumbiu. É o mesmo treinador, com os mesmos conceitos.



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