VARgonha



A maior piada do futebol brasileiro é o secretário-geral da CBF, Walter “Neroboy” Feldman falar sobre “compliance” em uma discussão sobre o árbitro de vídeo, como se deu ao vivo na ESPN Brasil. É enorme a curiosidade sobre o que as regras de governança da confederação dizem a respeito de um presidente indiciado pelo FBI e suspenso temporariamente pela Fifa, embora o assunto seja o custo da arbitragem eletrônica, novidade que Del Nero quis implantar de uma rodada para outra em 2017, mas agora é cara demais para o principal campeonato do país.

Outro motivo de riso histérico é a declaração do presidente do Vasco, Alexandre Campello, questionando a falta “de um estudo que comprove” o benefício do sistema. Não faz muito sentido dar importância ao que diz alguém que fez o que fez nas eleições presidenciais vascaínas, mas teria Campello esquecido do gol de mão que o Vasco sofreu na Arena Corinthians no ano passado? Qual seria o valor de um ponto no Campeonato Brasileiro? Entre tantas explicações cômicas para dizer não ao recurso de vídeo, os clubes que votaram contra simplesmente fugiram das próprias responsabilidades.

Claro que há quem compre o discurso de pobreza daqueles que afirmam não ter um milhão de reais por ano para investir na lisura do campeonato, ainda que seja constrangedor ouvir esse tipo de alegação justamente de quem sustenta a CBF desde sempre. Mas a questão não é essa. É inadmissível a incapacidade dos clubes de se abraçar em torno de um tema tão importante, dizer à confederação que não aceitam esse custo e que exigem – sim, exigem – um orçamento razoável. É o campeonato deles, clubes, que está diante de um avanço crucial para resultados mais justos. À mesquinharia da CBF se juntou o oportunismo de quem vetou o VAR e depois gritará por causa de erros verdadeiramente caros.

Que não se perca de vista que, em abril de 2014, Marco Polo Del Nero foi eleito com quarenta e quatro de quarenta e sete votos possíveis. Houve dois votos em branco e uma abstenção (Figueirense). Os clubes têm a CBF que desejam e jamais ganharam tanto dinheiro quanto neste momento. Quando fica evidente que a confederação despreza o campeonato e os clubes desvalorizam o produto que lhes pertence, reclamar não é uma opção, mas uma vergonha. Esta CBF, a CBF do “compliance”, é uma criação dos clubes. E este campeonato, o campeonato que não quis ter o VAR, é a competição que eles deveriam ser capazes de organizar.



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