Peso leve



1 – Embora comissões técnicas e jogadores ainda estejam em fase inicial de trabalho, o calendário que não leva em conta a qualidade do jogo determina que a temporada já começou. Um clássico como Palmeiras x Santos, no primeiro fim de semana de fevereiro, não deveria ser nada além de uma oportunidade para seguir treinando, só que vestindo uniformes de jogo e aos olhos do público.

2 – Mas o espetáculo precisa prosseguir, seja como for. E assim mentiras sinceras são criadas para dar à ocasião um caráter que lhe passa longe. “Um teste para o time de Roger Machado, contra um adversário mais exigente” é uma delas. “O sentimental reencontro de Lucas Lima com o ex-time” é outra. Pouco importa que sejam temas irrelevantes nos ambientes dos clubes envolvidos.

3 – Melhor seria se a tarde fosse vista como um encontro de pré-temporada, em que cobranças fazem pouco sentido e o resultado tem peso leve. Neste estágio, equipes precisam de minutos juntas para que funcionamentos comecem a ser compreendidos. Técnicos precisam observá-las à procura das correções para os diversos defeitos que, por esperados, não devem ser exagerados.

4 – Um gol aos dois minutos melhorou as condições para o Palmeiras, de elenco mais qualificado e horizonte mais promissor. Cobrança de escanteio de Dudu, cabeceio livre – David Braz não chegou – de Antônio Carlos. Na hipótese do contra-ataque ser a principal ideia de Jair Ventura, a desvantagem precoce não seria apenas uma questão de placar, mas de jogo.

5 – O segundo gol não saiu por centímetros, quando a cobrança de falta de Lucas Lima bateu na trave. O Palmeiras se apoderou dos primeiros movimentos, jogando no campo santista sem permitir ameaças, causando a impressão de que não teria problemas para se estabelecer. Durou pouco. Com a bola, o Santos foi capaz de equilibrar o clássico, chamando Jailson ao trabalho duas vezes.

6 – Entre a bola na trave e o chute de Borja, que passou ao lado do gol de Vanderlei, o Palmeiras ficou trinta e três minutos sem finalizar. Ao analisar o primeiro tempo de seu time, a queda de objetividade certamente restou evidente para Roger Machado. Do lado santista, um sinal positivo foi a forma como o time se posicionou, usando um meio de campo numeroso, após sofrer um gol tão cedo.

7 – O reinício foi muito semelhante. O Palmeiras não marcou aos dois minutos, mas aos quatro. Willian deixou a bola escapar durante um movimento da direita para o centro, e Borja aproveitou o que foi um passe involuntário. Nas anotações de Jair Ventura, os dois gols com poucos minutos de jogo ganharão destaque.

8 – A falha no primeiro tempo era remediável, mas o 0 x 2 deixou o jogo bem complicado para o Santos. Enquanto seguir com a mesma estratégia seria inócuo, elevar o nível de agressividade levaria a mais riscos. A vitória do Palmeiras dependia da manutenção da atenção defensiva.

9 – Deu-se o oposto. Não sequência de uma jogada em que a bola saiu pela linha de fundo (a marcação correta seria escanteio para o Santos), Daniel Guedes cruzou novamente e Renato desviou de cabeça. Com pelo menos meia hora por jogar no Allianz Parque, o resultado estava aberto.

10 – Além da estreia de Gustavo Scarpa pelo Palmeiras (no lugar de Lucas Lima, aos quarenta minutos), nada mais houve digno de registro.

ABSURDO

As pessoas que justificam, relativizam ou minimizam a agressão de “torcedores” organizados a uma equipe de reportagem da ESPN Brasil no Parque São Jorge são as mesmas que converteram o futebol em um ambiente perigoso. As que se calam se omitem. Não pode haver tolerância com a violência, sob pena de declará-la vencedora, como já se deu em outros países. Assim como não há razão para defender quem contamina o futebol e o preenche de ódio, disfarçado pela máscara da paixão por um clube. Solidariedade ao repórter Flávio Ortega e ao cinegrafista Marcelo D’Sants. Aos agressores, punição.



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