Astrologia



Philippe Coutinho repetiu a viagem que Cristiano Ronaldo, Gareth Bale e Luis Suárez fizeram. Trocou a Inglaterra pela Espanha, a Premier League pela “liga das estrelas”. Deixando de lado conjecturas sobre os desafios do Liverpool sem o jogador brasileiro, e as possibilidades para o Barcelona com ele, o movimento é significativo para o jogo entre as duas ligas nacionais europeias que geram mais interesse. A decisão de Coutinho não enfraquece a posição do campeonato inglês como o principal produto de futebol que pode ser acompanhado semanalmente, mas reforça a imagem do campeonato espanhol como o lugar onde se encontram os melhores futebolistas do mundo.

Como negócio, não há liga tão bem sucedida quanto a inglesa. O planejamento dos organizadores espanhóis é se aproximar do patamar de receitas da Premier League em dez anos, sinal da distância comercial que os separa. Provavelmente demorará ainda mais tempo para alcançar o nível de reconhecimento que faz com que um jogo do campeonato inglês seja identificado, em poucos segundos, pela televisão. É a padronização da excelência do campeonato mais visto no mundo, que vende tradição, organização, futebol bem tratado e um ambiente característico que se converte em apelo para apreciadores do jogo, independentemente de relações sentimentais com clubes.

Deveria ser o Éden para jogadores. E talvez seja, até o celular tocar e a tela exibir os códigos internacionais das cidades de Barcelona ou Madri. Os dois gigantes espanhóis costumam dominar um campeonato prejudicado pela disparidade financeira, defeitos estruturais e falhas de organização que comovem cartolas sul-americanos, mas exercem um poder de sedução que as virtudes da Premier League – por enquanto – não conseguem combater. Jogar no Barcelona e no Real Madrid representa ascensão na prateleira das percepções, faz crescer o nome e a marca de um futebolista, além de abrir horizontes coletivos e individuais que os principais clubes ingleses – ainda – não permitem.

Coutinho se tornou a segunda contratação mais cara da história do futebol. Na lista das dez maiores transferências, apenas três (Pogba, Lukaku e van Dijk) foram feitas por clubes da Premier League, que desfrutam de invejável realidade orçamentária. Barcelona e Real Madrid foram os compradores em cinco dessas transações (as duas restantes são as de Neymar pelo PSG e Higuaín pela Juventus), colaborando para manter o status do campeonato espanhol. Enquanto nomes como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo funcionarem como chamarizes para jogadores que desejem ser seus parceiros e/ou sucessores, a tendência perdurará mesmo que a liga espanhola não se compare à inglesa como produto.

Embora o time encantador no momento seja inglês, o Manchester City, a Premier League, hoje, é a liga das estrelas apenas no âmbito dos técnicos. Esse fator pode interferir no processo de decisão de jogadores consagrados nos próximos anos e contribuir para o desenvolvimento dos que já estão lá. Por ora, a noção de que a transformação de um futebolista em astro mundial passa por vestir a camisa de um grande clube espanhol explica a rota de Philippe Coutinho, justificando o apelido do campeonato que ele disputará. As carreiras e os currículos dos que o precederam oferecem farto material comprobatório.

PAPÉIS

Tite certamente adoraria que um possível experimento de Coutinho no papel de Iniesta desse certo, pelo benefício que a Seleção Brasileira teria em termos de escalação e variação. Mas é obrigatório considerar as diferenças de atributos entre eles antes de imaginar o brasileiro em uma função que lhe exigirá adaptação. Coutinho pode jogar em um trio de meias ou de atacantes, o que ilustra o valor de sua capacidade e o impacto de sua contratação. Será interessante observar como ele se integrará ao modelo de seu novo time.



MaisRecentes

Roteador



Continue Lendo

Gabriel Gol, 22



Continue Lendo

Moeda no ar



Continue Lendo