Espera



As informações que chegavam de Nova York, no início da noite desta quarta-feira, indicavam que os jurados do “Caso Fifa” ainda deliberavam a respeito do que viram e ouviram sobre os três únicos dirigentes envolvidos que se declararam inocentes. Não há previsão para o anúncio de um veredito e nem prazo máximo para que o paraguaio Juan Ángel Napout, o peruano Manuel Burga e o brasileiro José Maria Marin conheçam seus destinos. O júri tem solicitado documentos e transcrições de depoimentos, o que sugere que uma decisão não está próxima.

Burga, ex-presidente da federação peruana de futebol, é o único dos réus que foi acusado de apenas um crime. Napout, ex-presidente da federação paraguaia e também da Conmebol, teve de se defender de cinco acusações. Marin, de sete: conspiração para recebimento de dinheiro ilícito e conspiração para fraude e lavagem de dinheiro relacionadas à Copa do Brasil, Copa Libertadores e Copa América (duas acusações por torneio). Os jurados devem considerar cada acusação individualmente e chegar a conclusões unânimes. Nos casos de Napout e Marin, é possível que sejam absolvidos de certos crimes e condenados por outros.

Há um aspecto fundamental em relação às condenações: o governo americano não precisa provar que esses dirigentes receberam propina. Se os jurados se convencerem de que os acusados planejaram embolsar dinheiro ilícito, será suficiente para punir. A acusação é de “conspiração para…”, ou seja, o planejamento para cometer ilegalidades, o que em si é um crime nos Estados Unidos. Bancos americanos foram usados para transferências de valores, há gravações de reuniões realizadas em solo americano, assim como provas de que servidores de email e telefones celulares daquele país foram usados pelos acusados em suas comunicações.

Evidentemente também há os depoimentos das testemunhas da acusação, as pessoas responsáveis por distribuir o dinheiro. O argentino Alejandro Burzaco e o brasileiro José Hawilla concordaram em colaborar com a Justiça dos EUA, por intermédios de acordos de delação que perderiam a validade se mentissem no julgamento. Neste caso, além de não terem suas penas reduzidas, Burzaco e Hawilla responderiam por outros crimes. Marin segue em prisão domiciliar em seu apartamento em Nova York, de onde poderá sair para um presídio federal americano. Não é uma perspectiva agradável para “um homem rico, que não precisaria pedir propinas”, como sua defesa argumentou no tribunal.



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