Feliz Natal



Tite se encontrou com a comissão técnica do Manchester City, no sábado. “Muito bem recebidos pelo clube e por Txiki Begiristain (diretor de futebol), Manel Estiarte (assistente), Ferran Soriano (executivo chefe) e Guardiola”, disse o técnico da Seleção Brasileira, por mensagem, à coluna. “Tu sabe, quando começa o assunto futebol, mais café, não tem tempo para parar…”, acrescentou, sem ser específico em relação aos temas da conversa, em que esteve acompanhado pelo auxiliar Sylvinho e por Edu Gaspar, diretor de seleções da CBF. É lógico que Gabriel Jesus, Fernandinho e Ederson, os jogadores da Seleção que atuam no líder da Premier League, estiveram na pauta.

Ontem, Tite e seu grupo de trabalho estiveram no estádio Old Trafford para acompanhar o encontro dos dois primeiros colocados do Campeonato Inglês, um dos jogos do ano no futebol europeu. O treinador brasileiro sabia exatamente o que esperar do dérbi de Manchester: “Duas escolas de futebol diferentes na concepção e com dois técnicos muito representativos de cada uma”, escreveu. O jogo ilustrou essa ideia com riqueza de detalhes. Enquanto o Manchester City foi ao célebre “teatro dos sonhos” e levou o jogo a ser disputado na metade do gramado defendida pelo United, os anfitriões do clássico foram reduzidos ao expediente que gera muito pouco além de tentativas de precipitar o erro o oponente.

A bola longa para o domínio de Romelu Lukaku, à espera da chegada em velocidade de Anthony Martial e Marcus Rashford, era absolutamente previsível, e, como tal, uma tarefa menos complexa para a organização defensiva do City. E quanto mais precisa era a circulação dos visitantes no campo de ataque, menor a possibilidade de uma transição do United com gramado para correr. O controle foi tamanho que a primeira finalização ao gol de Ederson se deu nos acréscimos do primeiro tempo, quanto o City já vencia com um gol de David Silva, aproveitando a bola que ficou na pequena área após um escanteio. No lance anterior, Leroy Sane tinha obrigado De Gea a uma defesa mais difícil do que a imagem sugeriu.

O City poderia ter se adiantado no placar mais cedo, quando Gabriel Jesus, lançado por Fernandinho, deixou Marcos Rojo sentado na área e finalizou mal de pé esquerdo. A expressão no rosto do atacante brasileiro evidenciou a chance perdida, que muito provavelmente foi parar no caderninho de anotações de Tite como conteúdo para uma futura conversa. É certo que Fabian Delph ouvirá de Pep Guardiola a respeito da falha cometida no lance do gol de empate, quando o meiocampista convertido em lateral esquerdo não foi capaz de cortar um lançamento para a área, permitindo a Rashford uma conclusão cruzada em que Ederson nada pôde fazer.

A igualdade não durou dez minutos de segundo tempo, vítima de um gol do City muito semelhante ao primeiro. Bola aérea que não saiu da área – desta vez, Lukaku chutou nas nádegas de Smalling – e se apresentou para Otamendi. Caprichos do futebol: um dos times mais baixos da Premier League marcou duas vezes em segundas chances de jogadas aéreas contra a defesa do Manchester United. Embora inesperados no aspecto da construção, os gols produziram um placar fiel às atuações de cada time, mesmo com os índices de posse (que chegaram a 75% – 25% a favor do City) menos desequilibrados na segunda metade da partida.

Em todo o jogo, o United só foi capaz de criar uma jogada ofensiva, encerrada por duas fabulosas defesas de Ederson, uma delas com o rosto. A reprovação a uma proposta tão negativa, em contraste com a exuberância do jogo do rival (acompanhada por resultados: com a vitória, o City igualou o melhor início de temporada em 129 anos de história do Campeonato Inglês), levou uma torcida habituada a um estilo mais vistoso a pedir futebol de ataque em Old Trafford. José Mourinho preferiu reclamar um pênalti não marcado. A liga “mais competitiva do mundo” pode estar decidida antes do Natal.



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