“O PF dos caras”



Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, declarou na Corte Federal do Brooklyn (Nova York) que distribuiu cerca de cento e sessenta milhões de dólares em propinas a dirigentes de futebol. José Hawilla, ex-proprietário da Traffic, concordou em devolver cento e cinquenta e um milhões de dólares ao governo americano, em troca de uma pena mais branda por seus crimes. Eles eram os verdadeiros donos do futebol sul-americano, as pessoas que pagavam subornos aos cartolas que decidiam com quem negociar direitos de transmissão e exploração de competições.

Apenas entre Burzaco e Hawilla (vamos assumir o valor que deve ser ressarcido, ainda não devolvido integralmente, como um parâmetro do que virou propina), o montante destinado aos usurpadores do jogo no continente supera os trezentos milhões de dólares. É quase um bilhão de reais. Os direitos eram adquiridos por valores muito inferiores aos que se verificariam se houvesse licitações, o que permitia que os operadores pagassem subornos milionários e lucrassem em níveis estratosféricos com marketing e televisão.

No julgamento, Hawilla disse que pagava propina a Ricardo Teixeira para garantir que a Seleção Brasileira disputasse a Copa América com “os melhores” jogadores. Embora seja surreal que alguém deva ser subornado para que uma seleção vá a um torneio com sua versão mais forte, houve quem se escandalizasse com o que seria interferência no trabalho de técnicos, ignorando que a questão principal é o fato de um dirigente enriquecer dessa forma. Certos jogadores da Seleção eram explorados pessoalmente pelo Dr. Ricarrrrrdo. A partir de agora, ao menos o “argumento” de que a CBF é uma empresa privada ficará um pouco mais constrangedor.

De acordo com os depoimentos de Burzaco e Hawilla, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero também foram subornados em contratos relativos à Copa América e à Copa do Brasil. As transcrições de conversas telefônicas revelaram como o dinheiro – “o PF dos caras”, nas palavras de Hawilla; e “essa merda toda”, nas de Marin – era repartido. No caso da Copa do Brasil, é dinheiro que não chegou aos clubes que vivem atrasando salários e reclamando da crise econômica, mas foram/são responsáveis pela dinastia de Teixeira, pela aparição de Marin e pela manutenção de Del Nero.

O atual presidente da CBF não está sendo julgado em Nova York, embora a defesa de Marin tenha se esforçado para incriminá-lo ao apresentar seu cliente como um idoso confuso, incapaz de pedir propinas. Um tolo bem remunerado. Talvez os jurados acreditem.



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