Sorteio de Natal



Deixando de lado, por um momento, a capacidade técnica dos adversários, o sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo deu um presente de Natal adiantado à comissão técnica da Seleção Brasileira: a noção antecipada de como será a dinâmica de três – e possivelmente quatro – jogos do Mundial. Não é pouco. Utilizar o período até a estreia como prepararação do time para um tipo básico de oponente, em relação à ideia de jogo principal a ser enfrentada, é uma oportunidade que todos os técnicos que estarão na Rússia gostariam de ter. Permite que se olhe para a convocação final com menos dúvidas e que se trabalhe um plano de jogo, e suas variações, para ao menos toda a primeira fase do torneio.

A não ser que uma alteração drástica de última hora esteja a caminho, o que só poderia acontecer por cortesia da Sérvia, nenhum dos concorrentes da fase de grupos disputará a posse com o Brasil. Serão três adversários reativos, que convidarão o time de Tite a jogar em zonas preenchidas por marcadores, sem se importar com a proximidade da própria área. A linha de cinco defensores – não confundir com três zagueiros e mais dois jogadores fechando os lados sem a bola – da Costa Rica, vista no Brasil em 2014, chegará à Rússia mantida como um princípio de jogo. E o fato da Suíça ter futebolistas para ser perigosa atua para enfatizar o 4-4-2 hermético quando atacada.

Os sérvios são a única potencial interrogação, por causa da mudança de comissão técnica após a classificação em primeiro lugar de seu grupo nas Eliminatórias. Ao que tudo indica, o elenco que irá à Copa será renovado, o que sempre abre algumas possibilidades em termos de atuação. Será suficiente para alterar não só o sistema com três zagueiros, com uma linha de quatro à frente deles, mas também o caráter da equipe? O tempo disponível indica que provavelmente não. Diante da Seleção Brasileira, a Sérvia deve esperar e reagir como os outros dois membros do grupo E, mas sem medo ou respeito exagerado.

O bônus do sorteio é o cruzamento com o segundo colocado do grupo F, de Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul, assumindo que o Brasil se classificará em primeiro lugar. Um encontro com os suecos nas oitavas de final, cenário provável de acordo com o teórico balanço de forças da chave, produziria mais um jogo em que a Seleção teria a bola na maior parte do tempo e a obrigação de criar caminhos. Seria totalmente diferente contra o México, e, claro, em um choque precoce com os defensores do troféu. As bolinhas da Fifa podem ter determinado quatro partidas – de sete possíveis – em que o Brasil será submetido ao mesmo panorama de dificuldades, motivo pelo qual é correto afirmar que a escolha dos grupos foi, sim, favorável.

O amistoso contra a Inglaterra ganha ainda mais importância como referência para os ajustes finais de preparação. A capacidade de estender o campo de ataque para os lados, fundamental diante de adversários que congestionam o centro da defesa, certamente será um dos pontos mais trabalhados por Tite. Isso pode ser feito com laterais abertos, embora a Seleção os utilize no início dos movimentos para sair da defesa, ou com atacantes fixados em posições altas e próximas das linhas. Outro aspecto crucial é a atuação de Neymar. O jogador responsável pelo desequilíbrio deverá enxergar que o jogo precisa ser levado a ele, no lugar certo e nas condições apropriadas, para que seu futebol represente a diferença.

TRANSBORDOU

Reportagem publicada ontem por Martín Fernandez, no Globoesporte.com, apresenta as conexões entre Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero e o recebimento de propinas por direitos de competições, após a divulgação de documentos pelo governo dos EUA. Se Del Nero permanecer no comando da CBF, será com a conivência de clubes e federações. Não há mais como olhar para outro lado ou simular desconhecimento.



MaisRecentes

Feliz Natal



Continue Lendo

Mudar o meio



Continue Lendo

“O PF dos caras”



Continue Lendo