O facilitador



É conhecida a história do dia em que Maicon levou Arthur ao Centro Digital de Dados do Grêmio, para mostrar ao jovem volante como ele poderia incrementar suas atuações com passes mais profundos, endereçados às proximidades da área do oponente. O que pouca gente fora do âmbito do clube sabe é o que aconteceu depois. No primeiro jogo após a visita, a goleada sobre o Sport, em setembro, Arthur colaborou para a criação de um gol de Fernandinho com um passe longo para a assistência de Ramiro. “Ele passou a nos pedir os relatórios de passes, para ver se estava crescendo em verticalidade”, conta Eduardo Cecconi, responsável pelo departamento de inteligência do futebol gremista.

Cecconi acrescenta que Maicon vê em Arthur uma espécie de sucessor no controle da posse do time. No meio da temporada, ambos tinham números semelhantes em relação à quantidade e ao acerto de passes, mas a média de Maicon em conexões para o terço final do gramado era quatro vezes maior (16 a 4 por jogo). O que o companheiro de meio de campo talvez tenha notado antes dos outros é que o trabalho mais difícil já era parte natural do futebol de Arthur: a capacidade de organizar o jogo a partir da intermediária defensiva, com o pescoço sempre girando para identificar espaços e facilitar o papel dos que estão ao redor. Como diz Alex, ex-meia do Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, “Arthur abre todas as possibilidades pela frente e por trás da linha da bola, é um facilitador absurdo”.

A torcida do Lanús foi testemunha ocular. Durante o primeiro tempo do segundo jogo da decisão da Copa Libertadores, Arthur ofereceu uma clínica de serviços de um meiocampista, ajudando o Grêmio a mandar no encontro na casa do rival. Leitura de posicionamento impecável antes e depois do passe, movimentação constante para determinar a sequência de jogadas ou socorrer uma possível perda de posse. O movimento do segundo gol começou com ele. Passe, recuo para receber de volta, drible, avanço, outro passe, e, de Jailson, a bola chegou a Luan. Talvez seja a baixa estatura (1,72m) e a facilidade para sair para ambos os lados, talvez seja o fato de a bola colar em seus pés, mas ver Arthur jogar na Argentina gerou flashes dos melhores do mundo nesta função, o que explica o interesse do Barcelona.

“O Arthur teve de vencer uma resistência histórica no clube, volante baixinho…”, diz Cecconi. Uma descrição que teria o efeito contrário no clube catalão. Se é verdade que a partida contra o Lanús era o “exame final” para uma oferta do Camp Nou, o período em que o volante ficou em campo foi mais do que suficiente para convencer quem estava em dúvida. Em Porto Alegre, não há traços de incerteza sobre esse encaixe. “No Barça, ele seria, acredito, protagonista do tripé de meio”, prevê o analista do Grêmio, privilegiado por acompanhar de perto o desenvolvimento de um time em que Arthur atua como armador no estágio de construção de jogadas e Luan causa desequilíbrio próximo ao gol. Eles são as duas principais revelações do futebol brasileiro nas últimas duas temporadas.

É possível que Arthur tenha um apelo maior a clubes que valorizam o senso coletivo de futebolistas que Alex qualifica como “dinâmicos”, pelo impacto que geram em diferentes fases do jogo. Aos vinte e um anos, ele possui a compreensão de futebol que normalmente exige mais tempo para alcançar, com espaço para se aperfeiçoar, como nos passes mais profundos e na chegada ao ataque. Os adversários argentinos que o procuraram em campo na quarta-feira – sem sucesso, exceto para contê-lo com faltas – entenderão se, em breve, Arthur causar problemas similares em estádios europeus. E talvez, quem sabe, na Rússia.

GRUPO E

A questão é a mesma do copo meio cheio ou meio vazio, mas um grupo teoricamente fácil na Copa do Mundo permite crescimento como equipe e manutenção do bom ambiente. O sorteio sorriu para o Brasil.



  • Roger Monte Knopp

    Embora torcendo por clubes diferentes, admiro muito teu trabalho. Perde o Grêmio com tua saída.

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