Graduação



O Milan recorreu a Gennaro Gattuso para corrigir uma temporada frustrante e o apelo à autoridade do sanguíneo ex-jogador é quase automático. Em seus dias como volante, Gattuso patrulhava o meio de campo com a diligência de uma sentinela insone e a alergia às derrotas que caracteriza tantos esportistas. É fácil imaginá-lo, como técnico, comandando equipes tal qual um general motivador, a quem não é aconselhável questionar e, muito menos, desobedecer. Pode até ser que ele se utilize da imagem que construiu, mas ela não bastará para sustentar uma carreira que não aceita mais o “faça o que eu estou mandando”.

Em uma entrevista de apresentação que ilustra a realidade do trabalho de treinadores, o assunto surgiu e Gattuso o encerrou de forma, digamos, acadêmica: “É redutivo usarem sempre esse discurso de raça e vontade”, ele disse. ‘Eu passei em Coverciano, eles não me deram a permissão de presente, eu estudei. Viajei para estudar e preciso estudar mais”, completou. Coverciano é a escola de formação de técnicos na Itália, que fica no centro de treinamentos da federação do país e licencia treinadores com as graduações da Uefa. Após um ano de curso, os alunos escrevem uma tese que devem defender diante de técnicos italianos consagrados.

Gattuso tem a mesma certificação de Antonio Conte, Massimiliano Allegri e Carlo Ancelotti, que foram precedidos por Lippi, Capello, Trapattoni, Sacchi e tantos outros, em um curso que se preocupa em acompanhar a evolução do jogo de futebol e preparar técnicos para a atualidade. “Este é um trabalho que a cada ano tem novidades (…). A gente vê muitas mudanças”, declarou Gattuso. “Os jogos precisam ser preparados, não apenas com coração, raça e vontade”, advertiu. A defesa do conteúdo por um retrato da raça não deveria causar surpresa. Seria espantoso, sim, se um técnico em início de carreira quisesse convencer as pessoas do contrário.

Em última análise, os conceitos e os métodos de Gattuso serão julgados pelos jogadores dirigidos por ele. O futebol também exige que se saiba transmiti-los no campo de treinamentos, local onde equipes são preparadas. Em clubes de diferentes países, em níveis distintos de operação e competição, técnicos se encontram na mesma posição do ex-meiocampista marcador e líder vocal que o Milan trouxe de volta para comandar o vestiário: em um jogo que se tornou muito inteligente e mutante, não é mais possível sobreviver sem ideias atualizadas e uma noção clara de como aplicá-las.



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