Dilema



Entre Abel Braga e Roger Machado, a questão principal não é qual dos dois treinadores é o melhor para o Palmeiras (talvez Roger já tenha sido contratado enquanto você lê essas linhas). O que é mais intrigante é como um clube – e especialmente um clube que demonstrou tantos desvios de convicção durante a temporada que está terminando – considera dois treinadores de perfis tão distintos. Esclarecer esse dilema é mais importante do que escolher um ou outro.

Em qualquer clube organizado, a montagem do elenco precisa ser compatível com o técnico que o comandará, ou vice-versa. O Palmeiras foi reprovado nesse exercício quando dispensou Eduardo Baptista e chamou Cuca para dirigir um grupo que tinha diferenças com o jogo que ele enxergava. A medida passou pela impressão de que Baptista não tinha currículo para se afirmar no dia a dia com os jogadores, mas foi Cuca – que tem – quem se envolveu em problemas de relacionamento. A responsabilidade é de quem toma as decisões.

Um cenário semelhante se apresenta para 2018, e a direção palmeirense se mostra propensa aos mesmos equívocos. O elenco é considerado “difícil”, o que exigiria a contratação de um técnico experiente, capaz de administrar jogadores voláteis. Assumindo que essa é uma leitura correta (não é), a opção por Roger não faria sentido. O argumento da falta de estatura seria lançado na primeira sequência de resultados ruins, levando à necessidade de uma “correção de rota”, como se viu no episódio da demissão de Eduardo. Tudo embalado pela ladainha de que “futebol é resultado” e/ou “infelizmente é a nossa cultura”.

A supervisão de um grupo de jogadores não é tarefa exclusiva do técnico. A autoridade que essa posição demanda emana de diversos aspectos profissionais e pessoais, mas também do nível de suporte interno que o treinador recebe daqueles que estão acima dele. A noção de que o técnico deve comandar sozinho, sob pena de perder o lugar se as coisas não andarem bem é muito confortável para quem participa da tomada de decisões. Permite que se erre à vontade, porque o preço sempre será pago com a cabeça alheia e o discurso atrasado que apenas simula eficiência (mas ilude os fanáticos).

O Palmeiras precisa definir quais são as características do jogo com o qual pretende alcançar os objetivos de 2018, uma vez que o elenco não foi montado por um treinador específico, o que seria o ideal. Depois, estabelecer qual é o perfil de técnico mais apropriado para essa ideia de futebol, e aí tratar de nomes. Mas, acima de tudo, precisa fazer o oposto do que fez neste ano: sustentar as próprias escolhas.



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